Zev Marynberg antecipa era de imprevisibilidade nos mercados financeiros

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Zev Marynberg, o fundador e CIO do fundo hedge Adar Macro Fund, um dos fundos com melhor desempenho em 2016 e um retorno de 33,5 por cento, considera que, a curto prazo, os mercados financeiros enfrentam uma nova era de imprevisibilidade. “Junho de 2016 marcou o início de uma nova era no que diz respeito à política e aos mercados financeiros”, afirma. “As três últimas décadas, pelo menos, foram caracterizadas pela regra de lógica que prevaleceu no caso da grande maioria de dilemas. Fomos testemunhos de várias formas de auxílio que o FMI proporcionou a economias emergentes, começando com o México em 1995, e Rússia, Brasil, Ásia, Grécia e Ucrânia nos anos subsequentes. O senso comum prevalecia na solução de qualquer crise. A aplicação dessa lógica permitia prever eventos futuros e, consequentemente, como investir.”

Marynberg observa que o “Brexit, as eleições na Colômbia quando o tratado de paz foi rejeitado, as eleições na Itália, quando a linha pró-Europa foi derrotada e, finalmente, a eleição de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos (contra todas as expectativas), apontam para início de uma nova era, na qual a lógica à qual estávamos acostumados não funciona mais”.

Esta é a visão do executivo de informações do Adar Macro Fund que “a reação do mercado a esses eventos também é ilógica e diferente da qual estávamos acostumados. Os efeitos da votação do Brexit foram a curto prazo e dissolvidos em poucos meses, a não ser pela cotação da libra esterlina frente as outras moedas. No caso dos outros eventos, o mercado recebeu qualquer resultado com celebração. Previsões de declínios significativos em ativos financeiros no caso de uma vitória do candidato republicano trouxeram um sinal contrário, com fabulosos aumentos de preços, que é o que definitivamente motiva investidores.”

Para Zev Marynberg, “a experiência indica que os investidores buscam um retorno nominal, e ajusta sua carteira para atingir esse desempenho. Quando a taxa de juros cai, eles compram ativos de baixa qualidade indiscriminadamente. Por outro lado, quando as taxas estão elevadas, compram apenas ativos de baixo risco sem praticamente nenhum nível de investimento em ativos arriscados.”

“As taxas têm estado baixas há muitos anos, o que de acordo com essa premissa, deve significar que a qualidade dos portfólios de investimento não é tão boa, com um retorno nominal sendo a característica principal. A história ensina-nos também que taxas de juros tão baixas não podem durar muito tempo. É essencial que as taxas de juros aumentem para que os bancos centrais tenham, pelo menos, as ferramentas para executar algum tipo de função na próxima crise.” Marynberg prevê que “os mais afetados podem ser os títulos com uma correlação mais elevada com aqueles de 10 a 30 anos de maturidade emitidos pelos Estados Unidos.”


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