WORKSHIFTING – A exceção que se tornou regra

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A fronteira entre a vida pessoal e profissional, no que respeita ao uso e à gestão do tempo, está a esbater-se para o típico colaborador de uma empresa. A flexibilidade para alternar assuntos pessoais com profissionais durante todo o dia deixou de ser a exceção, para se tornar na regra.

Aliado a este fator está a vantagem de podermos estar sempre ligados: ligados ao trabalho, ligados aos amigos e à família. Se por um lado, esta “intrusão” da vida pessoal das 9h às 18h poder ser à partida contra produtiva, por outro lado a mesma leva a que muitos colaboradores “se liguem” ao trabalho depois de adormecerem as crianças, quando estão na sala de espera do dentista ou numa aborrecida tarde de Domingo.

Esta é a tendência que dá agora por nome de WorkShifting. Ou seja, o trabalhar fora do escritório sempre que nos apeteça ou que seja necessário. Quem tem, por exemplo, acesso ao e-mail da empresa no telemóvel, já está a fazer WorkShifting quando consulta e responde aos e-mails fora do local e horário de trabalho. Um estudo realizado recente pela iPass*  reporta que, em média, os colaboradores com estas capacidades estão a trabalhar mais 10 horas semanais do que os colaboradores que apenas podem trabalhar no escritório. Este estudo, realizado com entrevistas a mais de 3100 colaboradores distribuídos por aproximadamente 1100 empresas em todo o Mundo, obteve resultados surpreendentes: 38% dos inquiridos começam a trabalhar antes de saírem de casa; 25% estão a trabalhar durante o trajeto para o escritório; 22% trabalham novamente no trajeto para casa. Como se não bastasse, para muitos o trabalho é um ciclo que nunca termina, 37% trabalham em casa durante a noite, todas as noites! O melhor de tudo é que a maioria dos inquiridos se sentem mais eficientes e produtivos e menos “stressados” devido à flexibilidade de horários que o WorkShifting permite.

Apesar de não existir nenhum estudo específico sobre o nosso país, observamos entre clientes, parceiros e fornecedores, que cada vez mais a fronteira do horário não existe, principalmente quando estamos a falar de ler e responder a e-mails. Observamos também um fenómeno interessante de muita deslocalização do local convencional de trabalho, quer seja para trabalhar a partir de casa, de cafés ou nos muito populares bares do lobby dos hotéis. Sem dúvida que a grande ascensão dos tablets veio também ajudar a que esta tendência se acentuasse, pois estes dispositivos são um grande aliado da mobilidade.

Para as empresas, principalmente as PME, esta tendência está a tornar-se um requisito a ter em especial consideração. As soluções de Cloud Computing podem, neste caso, ser um grande facilitador (apesar de não ser o único caminho). É crítico que a informação do negócio possa ser acedida de forma segura e descomplicada a partir de qualquer local e em qualquer dispositivo, quer este dispositivo seja da empresa ou pessoal. Se a empresa conseguir responder com sucesso ao WorkShifting, os colaboradores vão responder de forma positiva, com maior produtividade, lealdade e um consequente aumento da rentabilidade para o negócio.

*The iPass global Mobile WorkForce Report
http://mobile-workforce-project.ipass.com/cpwp/wp-content/files_mf/ipass_mobileworkforcereport_q3_2011.pdf

Ricardo Vicente, COO da Knowledge Inside


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