Robonaut 2 inicia as funções de mordomo espacial

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Com seis quartos, dois ginásios e um grande quarto de solário, o Harmony, um dos módulos da Estação Espacial Internacional é o apartamento mais dispendioso do mundo, com um custo de €120 mil milhões.

A orbitar de 425 km do seu vizinho mais próximo, o Harmony oferece vistas sem rival, está equipado com todos os tipos de gadgets e dispõe dos serviços do empregado de limpeza mais caro do mundo.

Quando se vive um estilo de vida exigente numa casa fora do comum passa também a ser necessária uma resposta à medida para as tarefas domésticas infindáveis (e ingratas…).

O Harmony não é uma casa normal e o empregado de limpeza também não o é. O robot humanóide de nome Robonaut 2 está orçado em €2 milhões e foi desenvolvido através de uma parceria entre a NASA e a General Motors.

Com uma cabeça e um torso com dois braços e duas mãos, o R2 foi desenvolvido para realizar todo o tipo de tarefas a bordo da Estação Espacial Internacional e que são demasiado mundanas ou perigosas para os astronautas a bordo – incluindo o papel de zelador espacial.

Os engenheiros do General Motors Technical Center em Warren – onde os carros da Chevrolet são desenvolvidos e testados – e do Johnson Space center da NASA em Houston colaboraram entre si para criar um robot que pudesse assim trabalhar, lado a lado, com os astronautas humanos da Estação Espacial Internacional.

Poupança de tempo

O Robonaut 2 está a provar o seu valor na ISS após ter concluído com sucesso as suas primeiras tarefas – segurar-se a corrimões, limpeza e monitorização da velocidade do ar no interior da ISS.

Após uma série de testes de software aos antebraços do robot de modo a permitir uma melhor dissipação do calor e poder trabalhar durante maiores períodos de tempo, o R2, apoiado por uma equipa de engenheiros e cientistas no Johnson Space Center na Terra, concluiu um movimento de limpeza num corrimão utilizando um pequeno pano desinfectante.

Os Astronautas a bordo da Estação Espacial têm de medir, a cada 90 dias, a circulação do ar nas aberturas de ventilação no interior da estação, garantindo que nenhuma das condutas de ventilação fica obstruída ou bloqueada. Trata-se de uma tarefa que implica segurar num medidor à frente das aberturas de ventilação em cinco pontos diferentes na estação e realizar diversas medições vitais à circulação do ar.

O R2 dispõe de uma destreza de mãos excepcional podendo utilizar as mesmas ferramentas que os humanos. Ele é o robot mais rápido, com maior destreza e o mais avançado tecnologicamente do Universo!

A limpeza na ISS é uma tarefa crítica pois a cápsula pressurizada gera o seu próprio oxigénio a 425km da Terra e o ambiente livre de germes é fundamental na gravidade zero.

“Este não é exactamente um trabalho que exija um cientista – ou astronauta – para o fazer mas existem algumas coisas que o tornam difícil realizar” explica Ron Diftler, o gestor do projecto Robonaut 2. “O medidor precisa ser segurado bem firme – um desafio para um humano a ser balançado para cima e para baixo pela microgravidade – e as amostras podem ficar alteradas se houver outra fonte de circulação de ar na zona – como a respiração humana.”

Segurar firme e não respirar são duas das “qualidades” de destaque do R2 o que torna o robot na escolha natural para este trabalho.

“Fiquei muito impressionado com a agilidade do robot” diz Mari Forrestel, Environmental and Thermal Operating Systems flight controller, ao analisar a informação enviado pelo R2. “Acho que temos algumas afinações para fazer mas estamos definitivamente à espera que o robot nos possa vir ajudar”

Ron Diftler, o gestor do projecto Robonaut 2, acrescenta, “Estamos definitivamente no caminho certo. O Robonaut 2 teve a oportunidade de usar a primeira ferramenta. Esta experiência é o primeiro passo para o robot a aliviar a tripulação das tarefas mais maçadoras, dando-lhe mais tempo para a ciência e para a exploração.”


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Patricia Fonseca

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