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Recrutamento e automatização: Soluções para o futuro

Qual é o futuro do recrutamento? Alguns dirão que são os avanços tecnológicos dos ATS’s (applicant tracking systems), outros irão mencionar a introdução de algoritmos e bots no processo de selecção e a grande maioria apontará para a gamification das entrevistas. Todas essas opções estão profundamente erradas.

Antes de aprofundar o raciocínio é necessário clarificar dois pontos fundamentais: melhorias processuais de curto prazo não definem o futuro de uma indústria; o recrutamento é um processo humano e individualizado.

A esta altura, os executivos de topo das mais prestigiadas empresas saltam da cadeira e protestam contra esta visão pouco moderna, não escalável e nada sexy. Não há nada mais sexy do que anunciar numa palestra, entre pares, que a nossa empresa está a desenvolver um processo de gamification. É a mesma sensação que temos ao ver a nossa marca anunciada num enorme outdoor junto à estrada: excelente para o ego, péssimo a nível de eficácia.

E há algumas lições que os Recursos Humanos deviam aprender com o Marketing para evitarem cometer os mesmos erros.

Por esta altura, já não é segredo que o Marketing e a Publicidade falharam em grande. Desde sempre que os profissionais destas áreas procuraram as melhores estratégias para massificar as abordagens a potenciais clientes e levar mais longe as mensagens das marcas que representam. Paradoxalmente, a mesma tecnologia que foi permitido uma intrusão cada vez maior do marketing nas nossas vidas diárias, foi a mesma que permitiu ao consumidor criar as suas barreiras e dizer «não quero ver mais publicidade». Foi a ganância e o pensamento economicista, querer chegar mais longe com menos recursos, que levou o marketing longe demais, até ficar sem pé num oceano demasiado profundo.

Para os anúncios e pop-ups na internet, inventou-se o Adblocker. Para a publicidade absurdamente longa e irrelevante da televisão, inventou-se o TiVo, o VoD e o streaming. Para as publireportagens abusivas, surgiram os blogs que oferecem conteúdo produzido e validado por pares sem qualquer pretensão de parecer isento.

Esta é a resposta natural para combater os conteúdos intrusivos que as marcas querem veicular de forma massiva e indiferenciada. A era do broadcast já terminou há muito tempo e quem não perceber esta mudança de paradigma está destinado a falhar miseravelmente. E não se iludam, não deixa de ser broadcast só porque está nas redes sociais.

Vejo com alguma preocupação que o Recrutamento queira percorrer o mesmo caminho em vez de aprender com os erros alheios. A tecnologia é óptima e deve ser desenvolvida, desde que tenha um propósito. Massificar não é a resposta para as dificuldades do sector, porque do outro lado estão pessoas que se querem sentir exclusivas, únicas, especiais. Isso consegue-se através das customização e dificilmente haverá alguma vez neste mundo uma tecnologia que faça isso melhor do que as pessoas.

Cuidado com a automatização no recrutamento. Cuidado com a gamification, com os bots, com entrevistas em vídeo automatizadas. Os seus candidatos querem sentir que se preocupa o suficiente com eles para colocar uma pessoa real a conduzir o seu processo, por muito ineficiente, dispendioso e nada sexy que isso seja. Interacção pessoal é sempre o melhor.


João Batista

João Batista

Escritor, empreendedor e consultor especializado em Marketing para redes sociais. Sou fundador da editora Livros de Ontem, autor do primeiro livro português sobre Street Food “Street Food & Food Trucks – o guia do investidor” e Captain in Charge da Get The Job, a primeira empresa de Marketing de Recrutamento de Portugal.

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