Projeto Europeu com a Beta-i ajuda a aprender com o risco

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Vasco Pedro criou três startups: a Mindkin, a Bueda e a Dezine – e todas elas falharam. Neste momento, é um dos cinco fundadores da Unbabel, a primeira startup portuguesa a ir ao YCombinator, o santo graal dos aceleradores mundiais. Falhar é comum: mesmo o empresário Donald Trump já viu quatro das suas empresas falirem.

O projeto LIFE, lançado pela Comissão Europeia, em parceria com a Beta-i e 14 outras entidades europeias, vai ajudar os empreendedores a falhar e a aprender com isso. A iniciativa, que quer contribuir para acabar com o estigma do “fracasso” e ajudar os empreendedores europeus a lidar e aprender com o risco, vai incluir uma série de eventos europeus, ao longo dos próximos dois anos, e muita comunicação sobre o tema “failing forward”.

Ricardo Marvão, Co-Founder da Beta-i, uma das parceiras europeias do projeto, sublinhou: “Já todos nós falhámos em alguma área. Porquê este tabu em Portugal e na Europa? É necessária uma revolução na atitude face ao risco e na forma como lidamos com o falhanço a nível europeu, pois essa é a base para uma verdadeira cultura empreendedora e para a construção de uma nova entidade da Europa. Veja-se o exemplo dos EUA onde se estimula uma cultura de risco. Isto acaba por contribuir para um muito maior dinamismo do mercado, com startups e investimentos enormes. Daí a importância do projeto LIFE. Lá porque alguém falhou, isso não significa que não possa ter um grande sucesso no seu projeto seguinte. E é do falhanço que muitas vezes se retiram as maiores aprendizagens e que se evitam erros maiores no futuro, que pode ser determinante para chegar ao grande sucesso”.

O LIFE vai centralizar toda a informação importante para os empreendedores que se querem internacionalizar numa só plataforma: a que programas concorrer; que parceiros procurar; investidores importantes… Assim, poderão, de forma rápida e eficiente, saber o que têm de fazer e quem têm que contactar para penetrar noutros mercados. Desta forma, pretende-se dar às startups um conhecimento sobre um mercado tão diverso e fragmentado como é a Europa.

Simultaneamente, será desenvolvida uma campanha pan-europeia, ao longo dos próximos dois anos, de forma a consciencializar as pessoas de que o fracasso é uma parte inerente do processo de empreendedorismo e inovação. O projeto vai arrancar com uma série de entrevistas a startups para perceber porque é que algumas falham e que recursos, ferramentas, programas ou grants podem ser criadas para ajudar os empreendedores e reduzir a taxa de fracasso.

Boas práticas e experiências de falhanços que permitam às outras pessoas aprender com elas serão disseminadas online e através da rede de parceiros. Neste âmbito, será organizada uma conferência anual em Bruxelas, a 14 de outubro, sobre failing forward. Em Portugal, a “Failing Forward Conference” será organizada pela Beta-i, no segundo semestre deste ano.

“Claro que não estamos a incentivar as pessoas a correr ‘riscos cegos’. O facto de dizermos que o falhanço faz parte do processo, não significa que qualquer empreendedor não tenha que fazer tudo para ter sucesso e, antes de lançar qualquer projeto, começar com um forte planeamento, pesquisa e análise do mercado”, continua Ricardo Marvão. “O grande objetivo é criar um ambiente que facilite a discussão do falhanço, analise casos de sucesso e insucesso e ajude os empreendedores a aprender com os erros dos outros. Por outro lado, pretende-se reduzir o medo de falhar entre todos aqueles que querem ser empreendedores, ao discutir como as pessoas podem aprender a falhar.”

A reunião de kick-off teve lugar em Berlim, aproveitando a realização na cidade do Startup Europe Summit, uma conferência Pop Up. Neste Summit, a Beta-i falou da experiência do empreendedorismo em Portugal e contribuiu para a divulgação da criatividade e talento português. O evento juntou alguns dos principais líderes da indústria de tecnologia europeia e os principais decisores e reguladores da Comissão Europeia, com o objetivo de traçar a estratégia europeia com relação às startups e aos empreendedores de tecnologia.

No Startup Europe Summit, estiveram presentes o recém-nomeado Vice-Presidente da Comissão Europeia para o Mercado Único Digital, Andrus Ansip, o Comissário da Economia Digital, Gunther Oettinger, bem como a ex-Vice-Presidente da CE, Neelie Kroes, entre outros membros da Comissão e do Parlamento Europeu. Também várias empresas marcaram a sua presença (Google, Microsoft, Telefonica entre outros); startups – Unbabel, Pure, BlaBla Car, Transferwise, King.com, Prezi, Blockchain, Jolla, Wooga – e investidores de capital de risco, tal como Index Ventures, Mangrove, Lakestar, Mojo Capital, Point Nine Capital, entre muitos outros.


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Patricia Fonseca

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