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Leak Business

Primeiro Estudo Scaleups Tecnológicas – Ecossistema português de Startups com crescimento acelerado e 40 Scaleups identificadas

Patricia Fonseca

Publicado a

O Startup Europe Partnership (SEP), em conjunto com o CrESIT, publica hoje o novo Estudo dedicado ao ecossistema português de scaleups tecnológicas (startups que já angariaram financiamento superior a um milhão de dólares). Este estudo foi desenvolvido com o apoio da Microsoft Portugal e pretende fazer um raio-X ao mercado português no âmbito do seu programa Ativar Portugal Startups, que tem como principal objetivo alavancar o desenvolvimento destas micro empresas. O estudo será divulgado hoje na cerimónia dos UpAwards, um evento que reúne o tecido empreendedor português.

Uma das principais conclusões deste estudo é que Portugal está a recuperar da crise económica e financeira dos últimos anos e a marcar fortemente o seu território no mapa
europeu de startups, com uma comunidade de empreendedores capazes de produzir resultados tangíveis. Apesar de ainda não ser possível comparar a realidade portuguesa com a de outros países analisados pelo SEP (Alemanha, França e Reino Unido), Portugal tem muitas semelhanças – e uma pequena diferença – com Espanha e, em especial, com Itália.

O SEP identificou e analisou 40 scaleups que em conjunto já angariaram mais de 156 milhões de euros junto de venture capitals, ou seja, cerca de quatro milhões de euros em média, por cada uma.

“Apoiar as startups de hoje é investir no Portugal de amanhã, e este estudo vem confirmar aquilo que a Microsoft já sabe há muito: que as scaleups portuguesas se estão a transformar em empresas capazes de competir à escala mundial e a estimular o crescimento económico e a inovação”, afirma Caroline Phillips, diretora da área de apoio ao empreendedorismo e desenvolvimento na Microsoft Portugal.

“Estivemos em Lisboa em junho para o SEP Matching Event e descobrimos uma comunidade de empreendedores muito vibrante, e não é surpresa que esta seja a cidade que acolhe o Web Summit a partir de 2016. Um facto muito importante é que este ecossistema jovem já foi capaz de produzir resultados tangíveis. Está a crescer rapidamente e se estes números forem contabilizados proporcionalmente à dimensão do PIB, a capacidade de Portugal criar scaleups é bastante notável”, afirma Alberto Onetti, coordenador do SEP.

Para perceber a importância destes dados, há que ter em conta a juventude do ecossistema português de startups: 65% das scaleups portuguesas receberam financiamento nos últimos dois anos (a maioria delas, já este ano) e 75% nasceram depois de 2010 (e 48% depois de 2012). Além disso, Portugal é uma economia pequena, quando comparada com os outros países analisados (o PIB português é 16 vezes menor que o alemão, 12 vezes menor que o inglês ou francês, nove vezes inferior ao de Itália e seisvezes ao de Espanha). Do estudo conclui-se também que 24 startups atrairam financiamento entre 500.000 e um milhão de dólares, o que significa que são candidatas a scaleups num futuro imediato.

Angariação de capitais: scaleups médias lideram, quatro asseguram 56% do total

Neste ponto o cenário português é muito semelhante ao italiano, onde dominam as pequenas scaleups. A grande maioria das startups portuguesas (90%) que conseguiram
angariar financiamento nos últimos anos asseguraram valores entre um milhão e 10 milhões de dólares, o que representa 44% do valor total. Além destas, 8% atrairam entre 20 e 50 milhões de dólares, ou seja, 48% do valor total, e 2% financiaram-se entre 10 a 20 milhões de dólares. Isto prova que mais de 50% do financiamento assegurado pelas scaleups portuguesas ficou concentrado nas empresas de dimensão média (entre 10 e 50 milhões de dólares). Ainda não foi identificado qualquer „unicórnio‟/scaler, ou seja, uma startup que tenha angariado mais de 100 milhões de dólares de financiamento.

Nove fusões e aquisições (M&As), nenhuma IPO

O estudo do SEP identificou nove fusões/aquisições, com uma média de duas transações por ano nos últimos quatro anos (3, 1, 2 e 3 aquisições, respetivamente, em 2012, 2013, 2014 e 2015). Este número é 10 vezes mais pequeno que a média dos cinco países da União Europeia analisados, e ainda longe dos dois países mediterrânicos (Itália conta com 30 fusões/aquisições, enquanto Espanha regista 39).

Internacionalização é para todos

Todas as scaleups portuguesas tiveram os seus processos de fusão/aquisição internacionalmente. A larga maioria dos negócios (66%) foi concretizada com empresas norte-americanas, 22% com empresas europeias (oriundas de Espanha e Reino Unido) e nenhum por organizações portuguesas. Houve uma compra por uma empresa sul-africana (a Naspers). Estes dados indicam que o ecossistema português de startups tem boas relações internacionais, mas o mercado interno ainda não explora a oportunidade de investir em startups.

Hubs: Lisboa e Porto lideram

É em Lisboa que se localizam 17 das scaleups portuguesas (42% do total) e acedem à maioria do venture capital (cerca de 60% do valor total). No Porto encontram-se 11 scaleups (28%), o que o torna o segundo hub do País. As restantes scaleups localizam-se de norte a sul do País, registando-se uma forte concentração na zona do Porto e Braga.

Software Solutions, Business Analytics e Saúde lideram o mercado

A grande maioria das scaleups identificadas em Portugal atuam na área de Software Solutions, Business Analytics e Saúde, seguindo-se a educação, serviços empresariais,
turismo e mobile. De acordo com o estudo, outras áreas como digital media ou moda ocupam 5% destas scaleups.

Modelo geográfico dual

Tal como acontece noutros países, há várias scaleups que nasceram em Portugal mas foi fora das suas fronteiras que cresceram. Ou seja, deslocalizaram a sua sede – e parte da sua cadeia de valor – para outro país, mas mantêm forte presença operacional e tecnológica no país de origem. Exemplos desta realidade são a Feedzai ou a Talkdesk, que mudaram a sede para os EUA onde angariaram novas rondas de investimento junto de investidores americanos.

Outros exemplos são a Veniam (fundada no Porto em 2012, agora com sede em Mountain View mas com os seus laboratórios em Portugal), a Unbabel (fundada em 2013 em Lisboa, hoje com sede em S. Francisco e equipa de engenharia em Portugal) ou a Musikki (lançada em 2011 em Aveiro, agora baseada em Londres e com operações no Porto).

Nenhum unicórnio/scaler 

Não foi ainda identificado qualquer „unicórnio‟ em Portugal, mas um dos exemplos europeus tem origem portuguesa. Trata-se da Farfetch, fundada em 2008 pelo empreendedor português José Neves. A sede da empresa está em Londres, mas a maioria das operações está no Porto, onde emprega mais de 1.000 pessoas. Em cinco rondas, a Farfetch angariou mais de 195 milhões de dólares (183 milhões de euros).

Viciada em tecnologia, entrou para a equipa em 2012 e é responsável pela Leak Business, função que acumula com a de editora da Leak. Não dispensa o telemóvel nem o iPod e não consegue ficar sem experimentar nenhum dispositivo tecnológico.

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