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O perigo dos dados pessoais numa era cada vez mais digital

A privacidade é, ou deve ser, um direito humano fundamental. Hoje em dia, a compreensão do que o termo privacidade significa para o utilizador final inclina-se para a privacidade de dados ou privacidade de informações. Ainda assim nem todos olham para esta questão da mesma maneira.

Uns são demasiado preocupados com a privacidade e evitam ao mínimo deixarem qualquer pegada digital. Outros, têm muito menos preocupações e deixam uma pegada em todo o lado.

Quem não tem cuidado com as questões de privacidade está a oferecer aos criminosos diversas informações valiosas que poderão ser utilizadas mais tarde.

Na realidade, os dados estão a conduzir à próxima revolução na tecnologia e a alimentar diversos sistemas de inteligência artificial que estão a ser desenvolvidos. As questões são: Quando os dados entram nesses sistemas, quantos processos de decisão levados a cabo pelas máquinas serão capazes de reforçar o direito à eliminação dos dados e o direito ao esquecimento? As empresas que estão a solicitar dados sabem como e quando serão utilizados pelos sistemas de inteligência artificial?

Enquanto a grande maioria dos utilizadores finais compreende que estão a fornecer os  dados para redes sociais ou para empresas através de formulários e aplicações, existem muitos outros serviços que podem tentar apoderar-se dos dados de forma menos transparente.

Software gratuito e serviços

Uma vez que os consumidores gostam sempre de aproveitar o software sem custos, ou com um custo muito baixo, alguns fornecedores quiseram entrar no negócio da aquisição e partilha de dados. Quem desenvolve software livre tem poucas formas de ganhar dinheiro com o seu produto. Uma das mais utilizadas passa pela aquisição e venda de dados a terceiros.

No ano passado, vimos alguns fornecedores de segurança a oferecerem produtos anti-vírus gratuitos. Embora nada tenha sido dito acerca das suas intenções e como esperavam ganhar dinheiro, podemos contar com que alguns deles utilizem métodos de obter dinheiro de forma indireta, como adquirindo dados dos utilizadores.

O software de segurança gratuito ou de baixo custo vai continuar a ser uma tendências nos próximos anos. Isto vai aumentar provavelmente os riscos relacionados com a privacidade dos dados, pois o software livre normalmente não possui métodos de monetização tradicionais. Em vez disso, apresenta declarações de divulgação complexas que, em parte, são desenvolvidas para esconder as verdadeiras intenções acerca da recolha e venda de dados. Isto é evidenciado pelas muitas empresas que oferecem políticas de privacidade longas e ilegíveis e que são apenas compreensíveis para os advogados.

Assim, como acontece com qualquer produto gratuito, é importante que um utilizador entenda como a empresa está a ganhar dinheiro: por exemplo, um jogo para dispositivos móveis pode exibir anúncios ou pedir dinheiro para ajudar a subir de nível através da aquisição de pontos de experiência. Se a forma como a empresa está a ganhar dinheiro não for transparente, é provável que os dados dos utilizadores seja a forma de monetização.

A Internet das Coisas

Mas não são só os produtos e as aplicações grátis que conhecem os nossos hábitos online. A adoção de dispositivos da Internet das Coisas levou ao aparecimento de um novo mundo de oportunidades para quem quer explorar a questão dos dados.

Quando vai a conduzir para casa, o seu smartphone está a recolher informações acerca da sua localização. Quando chega a casa, eventuais dispositivos inteligentes e sistemas de alarme podem estar a partilhar com alguém que acabou de chegar.

Cada dispositivo pode contar uma história através dos dados que coleciona. Ao combinar os dados fornecidos por diversos equipamentos, qualquer atacante é capaz de refazer todos os passos de qualquer pessoa. Onde trabalhamos, onde comemos, quando vamos ao ginásio, o cinema que visitamos, onde fazemos compras e assim por diante. Se juntarmos tudo isto aos sistemas de inteligência artificial podemos ficar reféns da tecnologia, que toma cada vez mais todas as decisões por nós.

Os analistas da Gartner prevêem que, em 2018, existirão 11,2 mil milhões de dispositivos ligados, chegando aos 20,4 mil milhões em 2020. Sempre que um destes equipamentos se liga à rede global, pode estar a transmitir diversos dados à nossa revelia.

Legislação

A partir de maio de 2018 entra em vigor o Regulamento Geral de Proteção de Dados na União Europeia. Na prática, dá aos cidadãos mais poder acerca da forma como as informações pessoais são processadas e utilizadas.

O Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados vai afetar todas as empresas europeias que lidam com todos os tipos de informações pessoais. Afeta igualmente qualquer empresa internacional que está ativa na União Europeia. As regras são complexas e as multas para quem não cumprir os requisitos são significativas (até 20 milhões de Euros).


Patricia Fonseca

Patricia Fonseca

Viciada em tecnologia, entrou para a equipa em 2012 e é responsável pela Leak Business, função que acumula com a de editora da Leak. Não dispensa o telemóvel nem o iPod e não consegue ficar sem experimentar nenhum dispositivo tecnológico.

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