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Opinião Schneider Electric: Datacenter Transformation

A transformação que, actualmente, se verifica nos centros de dados, resulta do impacto da 3ª Plataforma das Tecnologias de Informação. Trata-se de um fenómeno cujo impacto é tão profundo quanto a globalização o está a ser para a generalidade da economia.

Quando estudamos o impacto das TI no modelo de organização dos centros de dados, verificamos que podem ser divididas em três diferentes estágios, que diferem uns dos outros, principalmente pela dimensão envolvida. A realidade temporal de cada uma destas plataformas não é absolutamente enquadrável no tempo, mas é possível delineá-las, com alguma tolerância, em função do tipo de equipamentos utilizados, do número de utilizadores envolvidos e do número de aplicações geridas.

A 1ª Plataforma, decorre de 1950 a 1985 e caracteriza-se pela utilização de Main-Frames com terminais de acesso, por milhões de utilizadores e milhares de aplicações.

A 2ª Plataforma, decorre entre 1985 e 2010 e caracteriza-se pela utilização de computadores pessoais, Servidores/clientes e pela disseminação das redes, principalmente da Internet. Os utilizadores são já centenas de milhões e as aplicações geridas, na ordem das dezenas de milhares.
A 3ª Plataforma, inicia-se no final da primeira década deste século e caracteriza-se pela mobilidade, pela Cloud e pelas redes sociais. Os utilizadores são biliões, já superiores ao número de seres humanos, e as aplicações geridas, na ordem dos milhões.

A segunda metade da primeira década do milénio foi profícua nestas alterações. Surgem o Facebook, o Twitter, os Smartphones e os Pad. Começa-se a falar em Cloude, Big Data e Internet of Things. A Revolução tinha começado. O mundo começava a estar ligado.

Começámos com a Internet da informação, rapidamente evoluímos para a Internet da informação e das pessoas e no final da década começávamos claramente a abraçar a Internet das “Coisas”. Em 2007 o número de ligações à Internet ultrapassava já o número da população mundial. Mais “coisas” que “gente”.
E afinal, era só o princípio. Em 2014 o tráfego de dados pela Internet estima-se em cerca de 966 ExaBytes (EB=1018). Este valor é provavelmente semelhante ao total dos dados movimentados na 1ª e 2ª plataforma juntas. É uma diferença colossal, os dados são profundamente avassaladores. Vejamos a realidade de cada minuto na Internet: 208,000 fotos carregadas no Facebook, 100 horas de vídeo no YouTube, 120 novas contas no LinkedIn, 3.5 milhões de buscas no Google e 118 K$ em compras no Amazon.

A principal mudança que irá impactar os centros de dados, está relacionada com tipo de utilizadores que irão ser os “clientes”. No final da década passada 65% da carga de TI, eram utilizadores empresariais, prevê-se que até ao final da presente década, 80% da carga resulte de utilizadores individuais. Esta realidade irá ter um impacto dramático na necessidade de redução de custos. À semelhança da economia, quem não se adaptar à nova realidade vai sucumbir.

No início, o único critério de avaliação de um centro de dados era a disponibilidade. Depois, já neste milénio, a esta começou a adicionar-se o critério da eficiência energética. O futuro irá ditar, que às duas primeiras, se adicione, obrigatoriamente, a agilidade, porque os tempos de mudança se encurtaram dramaticamente.

Os Datacenters como “ninho” de todo este processo vão sentir um profundo impacto na sua organização Se até ao início do milénio a necessidade de mudança se contabilizava em meses ou anos e a primeira década deste século, a reduziu para meses ou horas, a próxima década será ainda mais dramática. As infra-estruturas terão que ser capazes de se adaptar em minutos ou segundos. Dirão alguns, mais cépticos, “estão loucos, isso não será, simplesmente, possível”. Mas atenção que o “engenho e a arte” irão determinar que alguns vão, literalmente, torná-lo possível.

O desafio na transformação dos centros de dados irá ser determinante durante o que resta desta década e na próxima. Entrámos na era dos “aaS”, ITaas (It as a Service), Saas (Software as a service), Paas (Plataform as a service) e acima de tudo de Iaas (Infrastruxure as a service).

No futuro, a eficiência energética e a agilidade dos centros de dados irão constituir a diferenciação que irá determinar a sua sobrevivência. É pois uma era de desafios fundamentais, sendo importante referir que, embora a infra-estrutura não tenha que constituir um problema, ela não se transforma sozinha, necessita de investimento.


Pedro Magalhães

Pedro Magalhães

Enterprise System Engineer | Schneider Electric Portugal

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