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Opinião

Opinião: Saúde – A importância da Informação

Hélder Silva

Publicado a

Nos últimos anos, o setor da saúde tem vindo a sofrer mudanças a vários níveis. Um dos maiores focos de mudança foi (e será) a área tecnológica, acompanhando as necessidades e tendências de outros setores da economia nacional e estrangeira.

Hoje em dia, praticamente toda a atividade e controlo de processos das várias instituições do setor da saúde são realizados com recurso às Tecnologias de Informação (TI). Diariamente, são registados e guardados terabytes de informação, provenientes da interação dos profissionais e dos utentes.

A informação é uma arma poderosíssima, que permite por si só avaliar e definir estratégias de melhoria contínua da qualidade dos serviços.

Para além da convencional consulta de informação através de acesso a “históricos”, os dados poderão ser usados com 2 grandes propósitos:

  1. A obtenção de indicadores de desempenho, muito úteis na análise interna e apoio na gestão das instituições, assim como na comparação com padrões de mercado;
  2. O apoio à decisão nas áreas clínica, terapêutica e logística.

1. Apoio à gestão das instituições

A inclusão de modelos de gestão rigorosos e direcionados aos processos poderão ser fortemente apoiados pela informação existente nas próprias bases de dados das instituições. Estes dados e metadados (1), quando devidamente tratados e utilizados são de extrema importância na melhoria das condições do setor, promovendo a eficiência dos circuitos e processos. Maior eficiência, menos despesa!

Avaliando os dados internos, as instituições podem implementar medidas adaptadas às suas especificidades. Por outro lado, estas ações de melhoria e de reajuste de processos podem ser replicados (não temos de “inventar a roda”) em instituições de caraterísticas e dimensões semelhantes, com majoração dos resultados.

Neste contexto, a utilização de informação devidamente tratada e anonimizada (salvaguardando toda a privacidade dos intervenientes), possibilita análises de benchmarking (2) e permite que cada unidade de saúde possa aferir o seu posicionamento perante os seus pares.

O benchmarking constitui-se como uma ferramenta de aprendizagem: implica uma análise cuidada das diversas formas de implementação dos processos, das metodologias de trabalho e dos diferentes arranjos organizacionais, visando a sua otimização. Contribui por isso para um desempenho superior dos cuidados de saúde.

2. Apoio à decisão nas áreas clínica, terapêutica e logística

Além da obtenção de indicadores de desempenho, as aplicações informáticas “inteligentes”, apoiam o profissional de saúde na tomada de decisão e podem antecipar necessidades de intervenção clínica ou terapêutica.

Assistimos nos últimos anos a fortes cortes financeiros no setor da saúde, muito evidentes nos hospitais públicos. Os hospitais públicos necessitam, cada vez mais, de ser sustentáveis e eficientes. Os privados cada vez mais rentáveis. Em suma, os cuidados de saúde assumem cada vez mais rigor na gestão do seu custo-efetividade. Tudo isto mantendo a qualidade do serviço, garantindo uma resposta ágil e assertiva no tratamento de patologias complexas, assegurando a segurança do doente e permitindo a condigna atuação dos profissionais de saúde. A utilização de sistemas de informação e a incorporação de algoritmos de apoio à decisão, certamente serão uma mais-valia em que todos os intervenientes sairão beneficiados (utentes, profissionais de saúde, gestores, etc.).

Os primeiros passos já foram dados e têm surgido soluções que permitem antecipar a atuação de profissionais de saúde, assim como garantir a correta informação no momento da tomada de decisão.

O desafio será assegurar o binómio disponibilização/confidencialidade da informação. A informação já existe, o grande desafio é utilizá-la garantido todos os padrões éticos, regulamentados e legalmente impostos. Tratando-se de informação confidencial, os dados provenientes dos sistemas informáticos devem ser devidamente tratados (informação anonimizada e encriptada) evitando-se a exposição direta de pessoas, sejam utentes ou profissionais de saúde. É obrigatório o cumprimento de códigos de ética e conduta.

Em resumo, a partir de um conjunto de dados e metadados padrão, é possível obter indicadores de desempenho de cada instituição e perceber oportunidades de mudança e melhoria. Provavelmente, não será necessário criar novos inputs. É sim importante perceber de que forma se vai aproveitar todo este “mar” de informação na obtenção de ganhos para o utente, profissional de saúde e instituição, garantindo toda a confidencialidade e ética.

A evolução tem sido constante, mas há ainda um longo caminho a percorrer e, à semelhança de outros setores (já existem automóveis que se deslocam quase sem intervenção do condutor), certamente que novidades surpreendentes surgirão!

(1) https://healthinformatics.wikispaces.com/Health+Metadata; http://healthcaresecprivacy.blogspot.pt/2012/05/healthcare-metadata.html; http://www.apho.org.uk/resource/view.aspx?RID=39643;

(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Benchmarking; http://www.iapmei.pt/iapmei-bmkartigo-01.php?temaid=2;

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