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Opinião

Opinião: A invasão digital da Banca: porquê resistir ao futuro?

Sérgio Pereira

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Thomas Edison terá dito que ele “começava onde o último homem parou”. Desta forma, quereria este grande empreendedor dizer que a inovação, a sua inovação, foi um processo cumulativo. Aprendemos com os erros do passado, consolidamos as boas práticas e construímos sobre o edifício já existente. Ora, a era do Digital está repleta deste tipo de processos inovadores. É isto que se tem passado com o advento das Fintech que têm, em muitos âmbitos, constituído uma verdadeira revolução no setor financeiro.

Contudo, como Camões bem nos recorda, em todas as grandes aventuras há sempre Velhos do Restelo. Há sempre quem resista à galopante passada do futuro anunciado. As Fintech não são exceção. Sendo ameaçadoras para o status quo, recebem inúmeras críticas: desde não serem seguras até não serem de confiança. É claro que existirão erros a corrigir, não há modelos de negócios perfeitos. Mas essa é a beleza da evolução: é dinâmica e melhora a partir da aprendizagem.

Mas afinal como podem as Fintech melhorar o negócio da banca? Desde logo, pela resolução do problema da assimetria informativa. Por exemplo, os comparadores online, ao colocarem todos os produtos numa “montra digital”, permitem aos clientes uma melhor compreensão e análise dos mesmos e, consequentemente, estimulam a concorrência do lado da oferta.

Ora, numa altura em que muito se discute a problemática da concentração bancária, a solução para este problema pode começar por estes projetos disruptivos. Os pequenos bancos podem colocar facilmente os seus produtos nestas plataformas e, assim sendo, não há forma da “grande Banca” fugir à competição com os players mais pequenos. E estes podem assim arrebatar quota de mercado.

Se fica claro que as Fintech poderão conferir um novo e positivo ímpeto à Banca nacional, estão o porquê da “preocupação” demonstrada pelo próprio Banco de Portugal relativamente ao surgimento destas novas empresas?

A verdade é que não tenho qualquer dúvida de que os receios que foram levantados são infundados. Não há qualquer indicação de que as startups financeiras que vão surgindo um pouco por todo o país sejam uma ameaça para o consumidor nacional, muito pelo contrário. No cômputo geral, o consumidor só pode sair a ganhar: mais informado, com mais poder de decisão e até com mais estímulos à poupança. Em suma, a fazer melhores escolhas.

E quanto à Banca nacional? É certo que terá de se adaptar às novas práticas que permeiam o mundo digital. E isto já não é uma profecia, é uma realidade. Porque as novas gerações estão cada vez mais apegadas aos seus smartphones, tablets e afins, creio que já ninguém acredita que os jovens serão clientes tão fiéis como foram os seus pais e avós.

A verdade (dura para alguns) é que estamos perante um novo tipo de consumidor. Com acesso a informação e exigente na acessibilidade. Não vale a pena correr contra o futuro. Os bancos portugueses não têm outra opção senão abraçar o mundo digital e fazer evoluir as suas plataformas para ir de encontro às necessidades e exigências deste novo público.

Mas será o cenário assim tão negro para os bancos portugueses? Também não acredito que seja necessariamente assim. São já várias as instituições que começam a enquadrar-se em projetos online e que demonstram abertura para adaptarem o seu modelo de negócio ao online. Mas o caminho a percorrer é ainda longo…

De acordo com o portal estatístico Statista, a penetração da Banca online em Portugal é de apenas 28%. Ainda comparamos mal com a Zona Euro, cuja penetração é de 47%. Mesmo relativamente à média dos países da União Europeia ficamos para trás visto que neste agregado de países a penetração da banca online está na ordem dos 46%.

Dito isto, para os grandes players nacionais resta apenas uma questão: antecipamos o futuro ou deixamo-nos ultrapassar por ele?

Diretor Geral da plataforma gratuita de simulação de produtos financeiros ComparaJá.pt

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