Opinião: 3D Printing, a nova buzzword que mudará o mundo

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3D Printing tem sido uma das buzzwords mais utilizadas nos últimos tempos, seja em blogs, artigos de revistas tecnológicas ou económicas. Dizem os especialistas que poderá originar uma terceira revolução industrial.

Mas o que é 3D Printing?

O termo é na verdade uma frase coloquial para algo chamado “fabrico aditivo”, consistindo num processo de manufaturação de produtos através de um modelo desenhado digitalmente, contendo o mesmo modelo todas as instruções do seu fabrico a partir da qual a impressora adicionará camadas de plásticos, resinas, cerâmica, metal ou outros materiais em cima uns dos outros até obter o produto final, de acordo com o modelo comunicado. Existem diferentes impressoras 3D, consoante o material que trabalham (plástico, entre outros), podendo imprimir em qualquer tipo de produto com esse material.

Como sempre, aquando da chegada de uma nova tecnologia existe sempre uma hipérbole das vantagens e mudanças que essa tecnologia trará, mas que retirando alguns exageros de pseudo-futuristas que confundem “o querer com o ser”, muitas destas novas tecnologias, como se perspetiva para este caso, trazem efetivamente algumas alterações significativas.

O principal impacto dar-se-á na indústria de manufaturação, a qual implicará a digitalização da manufaturação. Ao nível das grandes indústrias o maior impacto está a ocorrer na indústria automóvel e aeronáutica. Estas já utilizam bastante esta tecnologiaprincipalmente na construção de protótipos. Existem planos (alguns já concretizados) que as impressoras 3D façam parte das linhas de montagem, fabricando partes das peças que irão compor carros ou aviões a sair destas linhas de montagem. Mas para já o maior impacto tem-se verificado em determinados nichos do mercado, os quais lidam com a manufaturação de produtos personalizados ou específicos, numa lógica mais individual com os consumidores, nos quais são incorporados os gostos individuais dos consumidores em vez da massificação.

A mudança que a 3D Printing pode trazer pode ser tal que no futuro, invés de se comprar um produto, o consumidor comprará a conceção (desenho) de um determinado produto (brinquedo, cadeira, capacete, arma, etc.), com possibilidades de personalização pelo próprio, podendo posteriormente fabricá-lo em casa, caso tenha uma impressora 3D ou numa loja que faça este tipo de trabalho, tal como hoje em dia alguém se dirige a uma loja de impressão com um documento digital.

Isto trará uma alavancagem a diversas profissões como designers, arquitetos, consultores especializados, entre outros, os quais podem ver aumentado o seu volume de trabalho e obter um relacionamento mais direto com os consumidores finais.

Entre muitas outras ideias, fala-se na alteração nas cadeias de distribuição, em que as distribuidoras podem disponibilizar um catálogo de peças possíveis de produzir a partir de casa, funcionando estes como uma espécie de “Amazon + Manufaturação”, com a missão de fabricar e distribuir os pedidos efetuados pelos seus clientes. Imagine a facilidade que a impressão 3D pode trazer, pondo de parte questões de direitos de autor ou fabricante, a alguém que pretende um novo retrovisor ou outra peça para um modelo de carro já descontinuado. Não terá que haver armazenamento dessas peças, sem os custos associados, bastará fazer o pedido com a referência ao modelo e posteriormente a pessoa receberá em casa o artigo.

Todos estes possíveis impactos terão repercussões na economia global e no mercado laboral. Apesar de se prever que nas indústrias pesadas (fabrico de aço), as repercussões serão nulas, em muitas outras, como o fabrico de moldes diversos – como equipamentos eletrónicos (telemóveis, televisões, etc.), brinquedos, roupa, mobiliário, entre outras – as possíveis alterações podem levar a uma mudança no desenho da atual distribuição das indústrias de manufaturação. Em décadas passadas muitas das fábricas mudaram de países ocidentais para principalmente países em desenvolvimento (China, Índia, Indonésia, etc.). Futuramente pode seguir-se o caminho inverso. Aqui convém associar a crescente robotização das linhas de montagens, que cada vez mais originam a uma menor necessidade de trabalho manual, trabalho esse que atualmente marca a diferença em termos de custos entre ter uma fábrica num país desenvolvido face a ter num país em desenvolvimento.

Mais vantagens? A diminuição dos custos das impressoras 3D, o aumento das suas capacidades em termos de volumes e do tipo de material que podem usar no fabrico dos produtos, a incorporação numa lógica diferente da conceção das linhas de montagens, as quais podem ser descentralizadas em unidades mais pequenas em relação às atuais, sem que com isso haja um aumento substancial dos custos. Isto permitirá aproximar a produção às especificidades e gostos de consumidores locais, aumentando assim a satisfação dos clientes, passando de uma lógica atual Offshore para Nearshore (o que origina a diminuição dos custos de transporte).

Como se pode ver, as repercussões que esta nova tecnologia pode trazer são vastas, seja no âmbito da lógica de consumo, da economia mundial ou da aplicação noutras áreas da nossa sociedade global como a medicina onde, por exemplo, já se produzem aparelhos para tratamento da apneia do sono (investigadores australianos criaram um dispositivo semelhante a um aparelho para correção dos dentes, em titânio e plástico medicinal, e que ajudará quem sofre desta doença) ou se prevê conceber em poucos anos corações com base nas células dos futuros recetores – uma inovação que revolucionaria por completo a medicina como hoje a conhecemos. Os próximos tempos dirão os impactos trazidos.


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