O plano estratégico da Indra 2015 – 2018 prevê um aumento das receitas médias anuais entre 2,5 – 4,5 %, para gerar um Free Cash Flow de cerca de 200 Milhões de Euros em 2018

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A Indra apresentou hoje o seu Plano Estratégico 2015-2018, que inclui um conjunto de linhas estratégicas que têm como objetivo melhorar os seus níveis de competitividade, crescimento sustentável e rentabilidade.

O conteúdo do Plano Estratégico 2015-2018 da Indra foi mostrado âmbito do Investor Day da Indra pelo seu presidente, Fernando Abril-Martorell, com Javier de Andrés, conselheiro delegado da Indra e os diretores gerais Carlos Suárez, Rafael Gallego, Cristina Ruiz e Juan Carlos Baena.

Abril-Martorell referiu “definimos um conjunto de linhas estratégicas para alcançar a nossa ambição de crescimento e rentabilidade”. Estes vetores são: redução de custos que serão implementados a curto prazo para alcançar poupanças e aumentar a competitividade da Indra; em segundo lugar, a melhoria da carteira de produtos e projetos, estratégia comercial e modelo de fornecimento como uma base para um crescimento sustentável e rentável; e em terceiro lugar, como acelerador do crescimento, o desenvolvimento de novos negócios, destacando que “com a Indra Digital, completamos a nossa oferta vertical com soluções de elevado valor acrescentado e aceleramos a sua evolução”; e como gatilho para a implementação da estratégia, destacou uma mudança cultural que vai tornar a empresa mais focada em desempenho e resultados.

A combinação de implementação das iniciativas de redução de custos e linhas estratégicas fazem com que a Indra tenha fixado os objetivos financeiros para o ano de 2018, tomando como base os resultados alcançados em 2014:

  • Crescimento das vendas entre 2,5% e 4,5% numa taxa anual acumulada composta, desde o valor de 2.938.000 milhões de euros de 2014
  • Margem EBIT recorrente entre 10% e 11% sobre 1x em 2018. A margem EBIT (sobre vendas) de 2014 foi de 6,9%.
  • A geração de um Free Cash Flow em 2018 de cerca de 200 milhões de euros que representam aproximadamente 6% das vendas esperadas para esse ano. Free Cash Flow de 2014 foi de 47 milhões de euros, com uma percentagem de 1,6% sobre vendas.
  • Um rácio de dívida financeira líquida / EBITDA em torno de 1X em 2018, face ao nível de 2,5X de 2014.

Ao nível de negócio, o Plano Estratégico 2015-2018 estima que:

  • Em Defesa e Segurança, um crescimento de lucros de 3-5%, numa taxa anual acumulada composta desde os 509 milhões de euros em 2014.
  • Em Transporte e Tráfego, um aumento de vendas de 3-5% numa taxa anual acumulada composta a partir dos 620 milhões de euros alcançados em 2014.
  • E em verticais de tecnologias de informação, um aumento de receitas de 2-4% desde os 1.809 milhões de euros registados em 2014.

O presidente da Indra destacou que a Indra irá basear a sua posição singular através da combinação de quatro pilares fundamentais:

  • Liderança tecnológica para as operações em negócios-chave.
  • Portfolio equilibrado e firme, em indústrias diferentes com ciclos e diversos impulsionadores chave, como a Defesa, Segurança, Transporte e Tráfego, e Tecnologias de Informação.
  • Uma forte orientação para o cliente, com importantes componentes de adaptação e associação e um foco em investimentos conjuntos e trabalhos coordenados com clientes.
  • Fortalecimento das equipas de profissionais, com um forte conhecimento em tecnologias chave em indústrias verticais e equipas que combinam experiência global com implementação local.

Abril-Martorell reforçou que a “nossa visão para a Indra é ser um sócio de tecnologia avançada para operações de negócio-chave em qualquer local”.

Para alcançar este objetivo, a empresa vai continuar a criar uma carteira de produtos de alto valor acrescentado, focada em tecnologia para as operações dos negócios-chave. Por outro lado, vai centrar-se numa estratégia de lançamento no mercado como sócia dos seus clientes, alavancando o seu conhecimento dos negócios verticais. Ao mesmo tempo, irá desenvolver uma melhoria contínua da sua eficiência nas operações e no modelo de prestação de serviços. Em paralelo, tomará vantagem da nova oferta em Digital, para acelerar o crescimento sobre os seus segmentos verticais. Tudo isto irá supor que os objetivos de crescimento sejam sustentados com uma nova cultura focada na rentabilidade e nas equipas da empresa.

Revisão de carteira de produtos, estratégia comercial e modelo de prestação de serviços

Entre os fatores chave para alcançar os seus objetivos de crescimento sustentável e rentável, a Indra irá rever a sua carteira de produtos e projetos, baseando-se em quatro pilares:

  • Dar prioridade à carteira de produtos existente, concentrando-se em produtos de alto valor acrescentado.
  • Uma maior uniformização da oferta para capturar economias de escala e aumentar conhecimentos.
  • Um processo mais seletivo para os projetos, com requisitos mínimos de tamanho ou rentabilidade.
  • Uma reorganização da carteira de negócios, o que incluirá investimento e desinvestimentos seletivos.

A Indra também levará a cabo a revisão da sua estratégia comercial. Isso implicará um reforço da sua capacidade comercial em produtos de valor acrescentado; a avaliação da conformidade de riscos e preços; reforço das capacidades das equipas comerciais; aumento das receitas por cliente; complementar estratégias de mercado de geografias com negócios especializados para maximizar a rentabilidade da carteira objetivo; e apoio seletivo em canais de terceiros.

Neste ponto, Abril-Martorell assinalou que “ao rever o nosso negócio dirigindo-o para produtos próprios de valor acrescentado, aumentaremos a rentabilidade e as vendas cruzadas”

A melhoria do modelo de prestação de serviços incluída no seu Plano Estratégico supõe para a Indra um aumento da rentabilidade e um melhor posicionamento com os clientes, através de alavancas como produtos estandardizados (que serão desenvolvidos com custos, alcance e tempos mais eficientes); novas ferramentas e processos de alta qualidade para a gestão de projetos; redução de erros e custos adicionais; e a melhoria contínua da experiência do cliente para aumentar a fidelização.

Plano de redução de custos

Por seu lado, Javier de Andrés, conselheiro delegado da Indra indicou que “estamos bem posicionados para conseguir o nosso objetivo de alcançar uma maior rentabilidade, após ter realizado um diagnóstico sobre as causas da evolução da empresa nos últimos anos e ter definido novas diretrizes estratégicas, ao mesmo tempo que contamos com melhores perspetivas macroeconómicas a curto e médio prazo nos nossos mercados chave.“

De Andrés, explicou as linhas do plano de redução de custos desenhado, entre outras medidas, para poupar e aumentar a competitividade da Indra, que se espera que possa chegar a alcançar entre 180 e 200 milhões de euros. O respetivo plano segmenta-se em quatro atuações principais:

  • Restruturação organizacional num valor estimado de poupança de cerca de 120 milhões de euros.
  • Custos de produção e outros custos num valor estimado de poupança de cerca de 30 milhões de euros.
  • Redução de custos adicionais e perdas em projetos num valor estimado de poupança de 10 milhões de euros.
  • Otimização do modelo de fornecimento com um valor estimado de poupança de 10 milhões de euros.

O resultado final do plano poderá variar já que atualmente a empresa iniciou o processo de comunicação com a representação legal dos trabalhadores em Espanha e está portanto sujeito ao resultado final das negociações a manter.

Projetos dispendiosos e outros efeitos

Por outro lado, de acordo com o procedimento estabelecido, os responsáveis dos projetos da Indra realizam estimativas para verificar periodicamente a evolução do cumprimento das principais hipóteses técnicas e económicas dos projetos da sua carteira. Dentro dessa análise, presta-se especial atenção aos projetos com uma maior probabilidade de desvios sobre o plano e portanto, por ter um impacto financeiro negativo. Esse processo, é supervisionado pela direção da Indra com responsabilidades estabelecidas no novo modelo de organização.

Tendo em conta o limiar de tolerância ao risco que a empresa considera que deve assumir na análise das estimativas, supervisionou os projetos no final de maio e foi colocado em marcha um conjunto de novos procedimentos que implicam alterações das previsões e expetativas sobre alguns projetos, ao existir dúvidas sobre a recuperabilidade dos trabalhos realizados, custos que excedem o valor da receita prevista no contrato e indemnizações por incumprimentos.

O anteriormente descrito implica a necessidade de registar um resultado negativo por um valor de aproximadamente 260 milhoes de euros (valores calculados a 31 de maio de 2015 e que poderão variar em virtude dos resultados financeiros o primeiro semestre). Os projetos na América Latina, em especial no Brasil, representam a maioria (59%).

Como consequência das novas estimativas nos referidos projetos, da atualização das hipóteses de negócio e macroeconómicas e do Plano Estratégico, na revisão do valor recuperável dos ativos associados às unidades geradoras de receitas do Brasil, Grupo Consultoria e Portugal e as bases tributáveis negativas capitalizadas, a empresa decidiu proceder à correção do valor de diversos ativos (ambos efeitos principalmente em ativos do Brasil, 87% do total) por um valor aproximado de 135 milhões de euros.

Assim, o valor total a 31 de maio de 2015, ascenderia aproximadamente a 395 milhões de euros, sem considerar os efeitos fiscais positivos associados. Deste valor total, só terão impacto em caixa, aproximadamente, 87 milhões de euros, dos quais 35 milhões de euros teriam impacto antes de 31 de dezembro de 2015, com o restante a ser distribuído nos próximos oito exercícios.


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Patricia Fonseca

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