O papel dos CFO no investimento em soluções digitais

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De acordo com o estudo da Accenture The CFO as Architect of Business Value: Delivering Growth and Managing Complexity, os CFOs conseguiram atingir avanços significativos na adaptação aos factores externos, que anteriormente tinham um grande impacto no desempenho, diminuindo o seu nível de preocupação com a regulação (53% em 2011 vs. 39% em 2014); a permanente volatilidade (46% vs. 38%); e o talento (40% vs. 21%). Quatro em cinco dos principais desafios com os quais os CFOs se deparam estão agora relacionados com a complexidade interna, nomeadamente, a relação com os legacy systems (55%); a gestão de necessidades complexas dos stakeholders (48%); os novos e complexos riscos de negócio (46%), e o suporte a cada vez mais complexos modelos operativos (28%).

Este estudo é parte da Accenture High Performance Finance Research, que analisa a evolução do papel dos CFOs e da função financeira. Esta pesquisa global, que já vai na sua quinta edição em 10 anos, inquiriu mais de 600 altos executivos da área financeira e inclui entrevistas a mais de 30 CFOs e outros executivos da área financeira.

Após o abrandamento económico, muitos CFOs foram forçados a adoptar uma estratégia defensiva na gestão de desafios externos. Actualmente, assistimos aos executivos financeiros a responderem proactivamente a novas fontes de complexidade internas, que em muitos casos são consequência do crescimento e de um forte desempenho”, refere Christian Campagna, Managing Director da Accenture Strategy, responsável mundial pela área de Finance & Enterprise Performance. “Uma vez que a complexidade nunca será eliminada, os CFOs mais proactivos compreendem que necessitam não só de gerir a complexidade em todas as suas formas, mas também de encará-la como uma oportunidade”.

A adopção de serviços de negócio globais ou de modelos de serviços de negócio integrados é vista como uma estratégia de sucesso para gerir a complexidade. O estudo revela que se prevê que a utilização de serviços de negócio globais, que vão para além das habituais tarefas administrativas dos modelos tradicionais de serviços partilhados, aumente de 51% para 56% das organizações abrangidas pelo estudo, nos próximos dois anos.

Por outro lado, a utilização de modelos de serviços de negócio integrados, que integram processos da organização em serviços end-to-end avançados, de forma a suportar a estratégia de negócio das organizações, deverá aumentar em cinco vezes, crescendo dos actuais 4% das organizações para aproximadamente 20%, em dois anos.

CFOs assumem novo papel como “Architect of Business Value”

Segundo o estudo da Accenture, o papel crescente dos CFOs resultou essencialmente do seu envolvimento em actividades de crescimento e transformação do negócio. Quase três quartos (73%) referem que a influência dos CFOs no suporte à tomada de decisões estratégicas aumentou nos últimos dois anos. 60% refere que a influência dos CFOs em introduzir informação analítica nas decisões aumentou e 61% refere que a sua influência como parceiro das funções corporativas também aumentou.

Apesar da sua crescente influência, apenas uma minoria desempenha um papel consistente na visão, desenho e implementação de iniciativas de negócio chave que vão além da redução de custos. Por exemplo, relativamente poucos CFOs estão envolvidos no desenvolvimento da visão da empresa pois esta está relacionada com a eficiência da força de trabalho (18%), optimização da cadeia de abastecimento (18%) e revolução digital (10%).

Verifica-se uma excepção notável nos CFOs de organizações de alto desempenho, aquelas com um crescimento, rentabilidade, longevidade, consistência e posicionamento para o futuro acima da média, avaliadas pela pesquisa High Performance Business da Accenture. Nestas organizações, é mais provável que os CFOs tenham aumentado a sua influência em processos de planeamento estratégico e em iniciativas de transformação do negócio. Por exemplo, 78% dos CFOs em organizações de alto desempenho iniciaram ou completaram uma racionalização do modelo operativo nos últimos dois anos, quando comparados com 67% das organizações com um desempenho inferior.

Os CFOs, particularmente em organizações de alto desempenho, alargaram as suas funções na última década, que eram centradas no controlo de custos, na prática de contabilidade e compliance, para funções mais abrangentes como ‘Architect of Business Value’ dentro da empresa”, refere o executivo da Accenture, Christian Campagna. “O nosso estudo revela que os CFOs estão a dar passos importantes no sentido de fundir a sua responsabilidade de geração de rentabilidade e crescimento para a empresa com a gestão da volatilidade, complexidade, globalização e tecnologia emergente”.

Os CFOs desempenham um papel relevante nos investimentos em soluções digitais.

O digital continua a ter um impacto profundo no desempenho da função financeira, mas os CFOs, dado o seu papel na intersecção entre a área financeira, a tecnologia e a estratégia, estão liderar cada vez mais iniciativas digitais, revela este estudo. Prevê-se que os investimentos no digital aumentem nos próximos dois anos, com mais de um terço dos participantes no estudo a reportarem um aumento de 25% no investimento em cloud e Software as a Service. Mais de um quarto esperam cerca de 25% de aumento do investimento em big data e analytics e 23% também esperam potenciar o investimento em soluções de mobilidade em mais de 25% durante os próximos dois anos.

No entanto, a maioria das empresas estão numa fase embrionária no aproveitamento de big data. Apenas 4% revelam ter investido no desenvolvimento completo de big data e analytics, enquanto 20% pretende estar nesta fase em dois anos.

Os CFOs alargaram o seu papel na avaliação, prioritização e execução de investimentos tecnológicos”, refere Scott Brennan, Managing Director da Accenture Strategy, na área de Finance & Enterprise Performance. “Muitos CFOs compreendem que a tecnologia – especialmente o big data e o analytics – representa uma oportunidade de obter informação crítica, melhorar a eficiência e potenciar o crescimento e a rentabilidade da empresa”.

O estudo da Accenture demonstra ainda que os CFOs em organizações de alto desempenho estão mais envolvidos nos investimentos em tecnologia digital. De facto, quatro em dez CFOs de organizações de alto desempenho estiveram envolvidos na prioritização e gestão de decisões tecnológicas, face a apenas 28% dos CFOs em empresas de desempenho inferior.

 


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