Líderes empresariais deverão aproveitar o valor da tecnologia

7392
0
Share:

Os atuais líderes empresariais têm de aproveitar todo o valor que oferece a tecnologia, de acordo com o recente relatório da CA Technologies – ‘The Future Role of the CIO; Digital Literacy’. O estudo revela que 89 por cento dos CIOs inquiridos na Península Ibérica acredita que a falta de conhecimento dos gestores face à aplicação da tecnologia no negócio pode dificultar o crescimento empresarial.

Em concreto, 40 por cento dos CIOs que participaram neste estudo acreditam que os decisores de topo não entendem o impacto das novas e emergentes tecnologias. Os CIOs da Península Ibérica temem que esta falta de compreensão esteja conduzir à perda de oportunidades de negócio e de investimentos, a uma reduzida capacidade de resposta da empresa às necessidades do mercado, perda de competitividade e a alargar o time-to-market.

De acordo com o relatório ‘The Future Role of the CIO; Digital Literacy’, mais de um terço (35 por cento) dos CIOs inquiridos na Península Ibérica acredita que os principais executivos da empresa veem as TI como um custo associado ao negócio, e não como um meio através do qual poderão fazer crescer a empresa, ou um meio capaz de otimizar os processos tornando-os mais eficientes, aumentando a agilidade e a competitividade.

Como tal, não gerou surpresa que apenas 40 por cento dos CIOs portugueses e espanhóis participem nos processos de tomada de decisões estratégicas. Isto é um entrave à criação e desenvolvimento de estratégias digitais por parte dos principais responsáveis das diferentes equipas da empresa.

“Assistimos cada vez mais a um maior envolvimento dos CIOs com a direcção das empresas e que são cada vez mais eficazes na comunicação do valor da tecnologia”, afirma Pedro Ligero, director geral da CA Technologies Ibéria. “Mesmo assim, apesar de estarem mais sintonizados com os respetivos negócios do que estavam há 10 ou 20 anos, os CIOs ainda têm de lutar contra a ideia de que a tecnologia pode melhorar a eficiência dos processos, mas que não pode aportar valor por si mesma”.
O professor Joe Peppard, Director of the Information Systems Research Centre na Cranfield School of Management, defende que os gestores de topo devem reconhecer que o verdadeiro valor das TI não vem diretamente da tecnologia, mas da capacidade de gerir e explorar toda a informação gerada. “A maioria das empresas não poderiam sobreviver durante muito tempo sem um sistema de TI”, disse Peppard.

“Os CIOs estão a começar a tornar-se uma espécie de corretores de serviços de TI; começarão também a ser orquestradores de decisões que envolvam a arquitetura da empresa, inovação através das TI e políticas de conformidade, e manter-se-ão cada vez mais envolvidos com os gestores de negócios no desenho de estratégias digitais que aportem valor”, acrescentou. Peppard destacou ainda que, mantendo-se esta estrutura, tanto a área de TI como o papel de CIO vão acabar por evoluir e passar a liderar discussões sobre a forma como a inovação tecnológica pode catapultar os negócios.

Para Jeremy Vincent, CIO da Jaguar Land Rover, uma companhia que conta com este apoio estratégico da direção, “os CIOs são obrigados a encontrar formas radicais, e totalmente diferentes, de se moverem o mais rapidamente, e de gastarem o menos dinheiro possível para conseguirem chegar a um nível onde são autorizados a demonstrar que algo é fundamental para o negócio”. Este executivo acredita que os CIOs estão bem posicionados para identificarem corretamente estratégias de negócio viáveis, do ponto de vista das tecnologias da informação. No entanto, para que a proposta seja aprovada e bem sucedida é necessário que exista liderança, uma abertura à inovação e uma partilhada visão holística da tecnologia e do negócio.


Share:
Patricia Fonseca

Deixe o seu comentário