IBM Watson utilizado para o tratamento personalizado do cancro com base na análise do ADN

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A IBM acaba de anunciar uma parceria com 14 novas clínicas e centros especializados no tratamento do cancro, para acelerar o tempo de resposta na identificação e personalização dos tratamentos. A partir das capacidades cognitivas do IBM Watson, estes institutos poderão reduzir de semanas para minutos a capacidade de extrair informações relevantes do ADN, compreender o perfil genético de uma pessoa e recolher dados das publicações médicas que lhes permitam personalizar as opções de tratamento, por forma a que um maior número de doentes tenha acesso ao tratamento adequado.

O anúncio foi feito no âmbito da conferência “World of Watson”, a acontecer ontem e hoje em Nova Iorque, com o objetivo de debater novos avanços nos cuidados de saúde em todo o mundo.

Entre as instituições encontram-se por exemplo a Cleveland Clinic, o Duke Cancer Institute, o McDonnell Genome Institute na Washington University, o University of North Carolina Lineberger Comprehensive Cancer Center ou o Yale Cancer Center, que passarão a tirar partido das capacidades do IBM Watson para ajudar os médicos na identificação das mutações genéticas que estão na base de alguns tipos de cancro, proporcionando ainda aos oncologistas de todo o mundo uma combinação inédita da experiência com a investigação realizada pelos mais conceituados institutos de cancro.

Agregando a esse conhecimento a capacidade do IBM Watson em completar a sequenciação genética e o processo de revisão da literatura médica em apenas alguns minutos, tornar-se-à mais rápido chegar a potenciais tratamentos que poderão ser relevantes para o perfil de ADN em causa. O especialista pode então avaliar as evidências médicas para determinar se uma nova terapia ou medicamento pode ser mais eficaz do que o tratamento padrão já a ser aplicado no paciente.

“Determinar a combinação certa de medicamentos e quais os mais eficazes no tratamento de um paciente com cancro numa fase avançada é assustadoramente difícil, exigindo uma análise complexa de diferentes fontes”, disse Norman Sharpless, MD, diretor do University of North Carolina Lineberger Comprehensive Cancer Center. “Estamos a trabalhar em parceria com a IBM num esforço sem precedentes e com a ajuda da tecnologia cognitiva, de modo a melhorar as decisões que tomamos, procurando maximizar a possibilidade de cura dos nossos pacientes.”

Na fase inicial do programa, as instituições aplicarão o IBM Watson a dados de ADN de doentes que estão a lutar contra linfomas, melanomas, cancro do pâncreas, do ovário, do cérebro, do pulmão, da mama e colo-rectal.

“Quando lidamos com o carro, é sempre uma corrida contra o tempo”, sublinhou Lukas Watman, MD, director assistente de genómica oncológica no The McDonnell Genome Institute na Washington University em St. Louis. “Sendo eu próprio um doente oncológico, sei como a informação genética pode ser importante. Infelizmente, traduzir resultados de sequenciação do cancro em potenciais opções de tratamento para um único paciente leva semanas. O Watson parece ajudar a reduzir substancialmente esse tempo.”

“Esta parceria pretende dar aos clínicos a capacidade de chegarem a mais doentes com cancro, oferecendo-lhes esta possibilidade de identificação e personalização de tratamentos, o que no momento chega apenas a uma parcela muito pequena da população”, sustentou Steve Harvey, vice-presidente da unidade IBM Watson Health. “A tecnologia que estamos a aplicar a esse desafio traz o poder da computação cognitiva para dar suporte a uma das questões mais urgentes e mais prementes do nosso tempo – a luta contra o cancro. De uma forma que nunca antes foi possível.”


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Patricia Fonseca

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