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Estudo revela que os Líderes empresariais mundiais consideram crítico o apoio institucional ao investimento privado na transição para uma economia de baixo carbono

Patricia Fonseca

Publicado a

A maioria dos líderes empresariais mundiais encara as iniciativas com vista a uma economia de baixo carbono como uma oportunidade de crescimento e de inovação, que será essencial para assegurar a vantagem competitiva nos seus setores, conforme refere um relatório da Accenture e das Nações Unidas.

O estudo “Special Edition: A Call to Climate Action”, elaborado pelo United Nations Global Compact e pela Accenture, teve por base um inquérito a 750 executivos pertencentes às organizações que integram o UN Global Compact. A análise conduzida pela Accenture Strategy revela que 70% dos executivos de empresas com receitas anuais superiores a mil milhões de dólares encaram as alterações climáticas como uma oportunidade de crescimento e modernização nos próximos cinco anos e 67% veem nela, já nos dias de hoje, uma clara oportunidade de negócio.

Na amostra mais alargada de 750 líderes empresariais em 121 países, mais de metade (54%) dos entrevistados dizem que as alterações climáticas irão criar oportunidades às suas empresas nos próximos cinco anos e 48% dizem já haver indícios evidentes de negócio que justifiquem ações.

A comunidade internacional teve em Paris uma oportunidade única para avançar com ações sobre as alterações climáticas através de um acordo ousado, ambicioso e universal”, afirmou Lise Kingo, Diretora Executiva da UN Global Compact. “Este estudo mostra claramente que os líderes empresariais estão empenhados em liderar o caminho, e acreditamos que as empresas podem desempenhar um papel central na conjugação dos instrumentos necessários para superar o primeiro teste à nossa capacidade coletiva para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Ações políticas prioritárias

Para os executivos a ação governativa é crítica para garantir o progresso. 74% dos executivos de empresas com receitas anuais superiores a mil milhões de dólares e 61% do total dos inquiridos considera que um acordo de longo prazo entre as nações é fundamental para desbloquear o investimento privado em soluções para alterações climáticas.

A preocupação com políticas é destacada por dois terços dos líderes empresariais, que referem que o setor privado não está a fazer o suficiente para combater as alterações climáticas. 91% acredita que agir neste sentido é uma prioridade para o negócio, mas apenas 34% considera estarmos no caminho certo para reduzir os níveis de aquecimento global para valores inferiores ao limite estabelecido de 2ºC.

O estudo identifica cinco medidas chave que podem facilitar o aumento do investimento privado em soluções para alterações climáticas:

  • Incentivos fiscais e legais para o investimento em soluções climáticas;
  • Instrumentos financeiros para estimular a Investigação & Desenvolvimento (I&D) e inovação em soluções de baixo carbono;
  • Standards de desempenho com vista à redução da emissão de gases e o efeito de estufa;
  • Regras de cálculo globais, transparentes e previsíveis na definição dos preços de carbono;
  • Extinção ou redução faseada dos subsídios para combustíveis fósseis.

Para explorar quais as políticas preferenciais de apoio ao setor privado, foram entrevistados 75 CEOs de empresas signatárias da iniciativa Caring for Climate que pretende reforçar o papel das empresas no combate às alterações climáticas, lançada em 2007 pelo UN Global Compact, UN Environment Programme e UN Framework Convention on Climate Change. 75% acreditam que o modelo de preço do carbono é um  instrumento importante para acelerar a ação sobre as alterações climáticas. 82% dizem que as empresas precisam de orientação e cronograma claros por parte das entidades governamentais sobre políticas relacionadas com mecanismos futuros de pricing do carbono. 84% acreditam que os mercados, suportados por um modelo de preço de carbono robusto, podem orientar a inovação assente em soluções de baixo carbono e o investimento em energias limpas.

Refletindo sobre o futuro e a capacidade de planeamento das suas empresas, 38% dos inquiridos apelam a padrões de desempenho mais rigorosos e consistentes que sustentem a redução de emissões e melhoria climática e 31% encaram a extinção ou redução faseada de subsídios aos combustíveis fósseis como chave para o progresso.

Talvez pela primeira vez, comecemos a ver uma frente unida de líderes empresariais e decisores políticos a ajustarem os seus percursos em direção a um acordo comum que pode preencher a lacuna entre ambição e a ação em questões climáticas”, disse Peter Lacy, Managing Director da Accenture Strategy. “Torna-se claro a partir deste estudo da Accenture e das Nações Unidas que os executivos veem cada vez mais as alterações climáticas como uma disrupção fundamental nas suas indústrias, e que as empresas líder começam a considerar as alterações climáticas como uma oportunidade de crescimento, inovação e vantagem competitiva”.

Ações para as empresas

O estudo também identifica os cinco comportamentos fundamentais que as empresas devem adotar nos seus esforços de liderar o desafio das alterações climáticas:

  1. Contribuir proactivamente com inputs para que os Governos criem políticas climáticas eficazes;
  2. Colaborar com os seus pares para promover a liderança e inovação em soluções climáticas;
  3. Investir em tecnologias e soluções de baixo carbono para alcançar eficiência energética, aumentar a oferta de energias renováveis e potenciar a inovação em soluções climáticas;
  4. Tomar medidas concretas para aumentar a adoção e resiliência de soluções climáticas nas operações e nas comunidades;
  5. Definir objetivos com vista à redução de emissões em linha com o limite dos 2ºC.

Este relatório inclui ainda cartas abertas dirigidas a líderes empresariais e decisores políticos, escritas por CEOs de alguns dos principais promotores e praticantes de ações sobre as alterações climáticas, incluindo a Eni, Nestlé, Statoil e Vale, entre outros. As conclusões do relatório foram divulgadas na reunião anual do Caring for Climate Business Fórum, que decorreu no COP21 no passado mês de Dezembro, em Paris.

Viciada em tecnologia, entrou para a equipa em 2012 e é responsável pela Leak Business, função que acumula com a de editora da Leak. Não dispensa o telemóvel nem o iPod e não consegue ficar sem experimentar nenhum dispositivo tecnológico.

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