Estudo Mercer revela que Lisboa caiu 51 posições no ranking das cidades mais caras do Mundo

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Tal como os custos das operações cambiais criam obstáculos para muitas organizações multinacionais, as flutuações cambiais e monetárias – resultantes em parte da instabilidade económica e política – estão a contribuir para maiores variações nos pacotes de remuneração de expatriados. O 21º estudo global sobre o Custo de Vida de 2015 da Mercer sublinha que fatores como a instabilidade no mercado imobiliário e a inflação de bens e serviços têm um impacto significativo sobre o custo total de desenvolver negócios num ambiente internacional.

“À medida que a economia global se torna cada vez mais interligada, 75% das organizações multinacionais esperam que os processos de expatriação cresçam nos próximos dois anos para atender às necessidades de negócio,” afirma Diogo Alarcão, Partner da Mercer “Enviar colaboradores para outros países é necessário para competir no mercado global com os melhores talentos disponíveis. As empresas precisam de refletir com precisão e fiabilidade o custo e o retorno esperado com as políticas de mobilidade internacional.”

De acordo com o estudo Custo de Vida 2015 da Mercer, Lisboa desceu 51 lugares no ranking, uma queda significativa na lista das cidades mais caras para expatriados deste ano. A cidade lisboeta ocupava a posição número 94 no ano passado, e atualmente encontra-se em 145º lugar. O que significa que, neste momento, Lisboa é das cidades menos dispendiosas para os expatriados.

Tiago Borges, Responsável de Estudos de Mercado na Mercer Ibéria comenta “Esta descida de Lisboa na lista das cidades mais caras para os expatriados deve-se à depreciação do Euro face a outras divisas globais, bem como à ainda tímida recuperação nos preços do imobiliário e a uma inflação historicamente baixa, que tem mantido os preços dos bens e serviços a um nível comparativamente mais baixo do que em outras localizações.”

O estudo refere ainda que as cidades asiáticas e europeias – em especial Hong Kong (2), Zurique (3), Singapura (4) e Genebra (5) – encontram-se no topo da lista das cidades mais caras para expatriados. A cidade mais dispendiosa pelo terceiro ano consecutivo é Luanda (1), a capital de Angola. Embora seja reconhecida como uma cidade relativamente barata para os residentes habituais, o custo dos bens importados e as condições de vida exigidas pela generalidade dos colaboradores expatriados, levam a um aumento significativo do custo de vida desta cidade.

Outras cidades mencionadas no top 10 das cidades mais caras para expatriados são Xangai (6), Pequim (7) e Seul (8) na Ásia; Berna (9); e N’Djamena (10). As cidades menos caras do mundo para expatriados, de acordo com o estudo da Mercer, são Bisqueque (207), Windhoek (206), e Carachi (205).

Este estudo da Mercer – Custo de Vida 2015 – é considerado mais fidedigno e completo do mundo e destina-se a ajudar empresas, bem como governos e outras entidades, a determinarem subsídios de compensação para os seus colaboradores expatriados. Nova Iorque é utilizada como cidade-base, servindo de comparação para todas as outras cidades. Deste modo, os movimentos monetários são medidos em relação ao dólar americano.

O estudo inclui 207 cidades nos cinco continentes e mede o custo comparativo de mais de 200 artigos em cada local, incluindo habitação, transportes, comida, roupa, bens de uso doméstico e entretenimento.

Alinhar a força de trabalho e as estratégias de mobilidade, assegurando que os colaboradores certos se encontram nos sítios certos, é um elemento crítico de sucesso das políticas de mobilidade internacional”, explica Diogo Alarcão. “Compensar devidamente os colaboradores em projetos internacionais é tão importante quanto dispendioso. Importa, pois, ter informação fidedigna, atualizada e detalhada para definir o pacote de remuneração certo, para a pessoa certa, no local certo”

Segundo Diogo Alarcão, este facto é especialmente importante quando as empresas iniciam os seus programas de mobilidade, têm um número restrito de candidatos e o sucesso das suas operações depende em larga escala de projetos internacionais que implicam a expatriação dos seus colaboradores por períodos mais ou menos longos. É essencial que estas organizações tenham informação constantemente atualizada e transparente que lhes permita recompensar de forma justa e em linha com as exigências do mercado os colaboradores expatriados.

As Américas

As cidades nos Estados Unidos subiram acentuadamente na lista do custo de vida devido ao fortalecimento do dólar americano face a outras principais moedas. Enquanto Nova Iorque (16), a cidade mais cara da região na lista, permanece igual em relação ao ano passado, cidades na Costa Oeste, incluindo Los Angeles (36) e Seattle (106) subiram 26 e 47 lugares, respetivamente. Entre outras principais cidades americanas, Chicago (42), aumentou 43 posições, Washington DC (50) avançou 42 lugares, já Honolulu (52) subiu 45 lugares e Houston (91) 51 lugares. Cleveland (133) e Winston Salem (157) encontravam-se entre as cidades menos caras no estudo americano para expatriados.

Tiago Borges comentou “A grande ascensão das cidades dos Estados Unidos na lista deste ano decorre, inquestionavelmente, da valorização do dólar americano, quando comparado com outras moedas à volta do mundo”.

Na América do Sul, Buenos Aires (19) escalou 67 posições tornando-se a cidade mais dispendiosa este ano na Região, devido a um forte aumento dos preços de bens e serviços. A capital e centro financeiro da Argentina é seguida por São Paulo (40) e pelo Rio de Janeiro (67). Outras cidades na América do Sul que subiram na lista das cidades mais caras para expatriados são Santiago do Chile (70) e Manágua (199). Caracas, na Venezuela, foi excluída do ranking devido à situação monetária complexa que vive atualmente; a sua classificação teria variado fortemente dependendo da taxa oficial de câmbio selecionada.

Cidades canadianas caíram no estudo deste ano, com a cidade com maior classificação do país, Vancouver (119), a descer 23 posições. Toronto (126) caiu 25 lugares, enquanto Montreal (140) e Calgary (146) baixaram 17 e 21 lugares, respetivamente. “O dólar canadiano continua a enfraquecer perante o dólar americano, desencadeando várias alterações na lista deste ano,” explicou Tiago Borges.

Europa, Médio Oriente e África

Três cidades europeias surgem na lista do top 10 das cidades mais caras para expatriados. Zurique (3), a cidade mais cara da Europa, é seguida por Genebra (5) e Berna (9). A Suíça permanece um dos locais mais caros para expatriados, devido à valorização do franco suíço face ao euro. Moscovo (50) e São Petersburgo (152) desceram 41 e 117 lugares, respetivamente, como resultado da queda significativa do rublo russo face ao dólar americano e a outras divisas, assim como devido à descida dos preços do petróleo, e de uma falta de confiança na moeda e economia russas resultante de sanções ocidentais durante a crise na Ucrânia.

Além das cidades no Reino Unido, outras cidades da Europa Ocidental caíram na lista devido, principalmente, ao enfraquecimento das moedas locais face ao dólar americano. Enquanto Londres (12) permanece estável, Aberdeen (82) e Birmingham (80) subiram na lista. Paris (46), Viena (56) e Roma (59) desceram na lista 19, 24 e 28 posições, respetivamente. As cidades alemãs de Munique (87), Frankfurt (98), e Berlim (106) caíram significativamente, assim como Dusseldorf (114) e Hamburgo (124).

“Apesar das moderadas subidas de preço na maioria das cidades europeias, as moedas europeias enfraqueceram face ao dólar americano o que empurrou para baixo muitas cidades da Europa Ocidental na lista”, explicou Tiago Borges. “Adicionalmente, outros fatores como a economia da zona euro, a redução nas taxas de juro e o crescente nível de desemprego tiveram impacto sobre estas cidades.”

Como resultado da depreciação de moedas locais face ao dólar americano, a maioria das cidades na Europa Central e Oriental também sofreram uma queda na lista. Praga (142), Budapeste (170) e Minsk (200) desceram 50, 35 e 9 lugares, respetivamente, apesar das acomodações estáveis nestes locais.

Tel Aviv (18) continua a ser a cidade mais cara no Médio Oriente para expatriados, seguida pelo Dubai (23), Abu Dhabi (33) e Beirut (44), as quais subiram todas na lista deste ano. Jeddah (151) continua a ser a cidade menos cara da região, apesar de ter subido 24 lugares. “Muitas moedas no Médio Oriente estão indexadas ao dólar americano, o que conduziu à subida das cidades na lista. O aumento acentuado do aluguer de alojamento para expatriados, particularmente em Abu Dhabi e no Dubai, também contribuíram para o aumento das cidades na lista”, afirmou Tiago Borges.

Diversas cidades em África continuam a figurar como as mais caras, refletindo custos de vida e preços de bens elevados para expatriados. Luanda (1) permanece a cidade mais cara em África e globalmente, seguida por N’Djamena (10), Victória (17) e Libreville (30). Apesar de ter aumentado 5 posições, a Cidade do Cabo (200) na África do Sul continua a ser a cidade menos cara da região refletindo a fraca valorização do rand sul-africano face ao dólar americano.

Ásia Pacífico

Cinco das cidades registadas no top 10 da lista deste ano encontram-se na Ásia. Hong Kong (2) é a cidade mais cara, como resultado da sua moeda estar ligada ao dólar americano e inflacionando o custo de vida localmente. Este centro financeiro global é seguido por Singapura (4), Xangai (6), Pequim (7) e Seul (8) – todas a subir na lista, com exceção de Singapura que permaneceu estável. Tóquio (11) desceu quatro lugares.

“As cidades japonesas têm continuado a cair na lista deste ano como resultado do enfraquecimento do iene japonês face ao dólar americano”, declarou Tiago Borges. “No entanto, as cidades chinesas subiram na lista devido ao fortalecimento do yuan chinês a que acresce os custos elevados dos bens de consumo consumidos pelos expatriados”.

Quanto às cidades australianas, estas têm continuado a diminuir na lista devido à depreciação da moeda local face ao dólar americano. Sydney (31), a cidade australiana mais cara para expatriados, diminuiu 5 lugares na lista, juntamente com Melbourne (47) e Perth (48) que desceram 14 e 11 posições, respetivamente.

A cidade indiana mais cara, Mumbai (74), subiu 66 lugares na lista devido ao seu rápido crescimento económico, à inflação no cabaz de bens e serviços e a uma moeda estável face ao dólar americano. A cidade considerada a mais populosa da Índia tem atrás de si Nova Deli (132) e Chennai (157), as quais subiram na lista 25 e 28 lugares respetivamente. Bangalore (183) e Calcutá (193), as cidades indianas menos caras, também aumentaram na lista.

Em relação a outras cidades da Ásia, Bangkok (45) subiu 43 lugares desde o ano passado. Hanói (86) e Jacarta (99) também subiram na lista, 45 e 20 posições, respetivamente. Carachi (205) e Bishkek (207) continuam a ser as cidades menos caras para expatriados.


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Patricia Fonseca

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