Espaço Mind Source: “Gamification”

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Motivar pessoas e envolvê-las num objetivo comum é considerado por muitos uma arte. O que motiva uns não motiva outros, e o que uns consideram recompensador, para outros é indiferente ou até mesmo um fator de frustração e, consequentemente, de desmotivação.

Um cenário de envolvimento quase natural das pessoas é o de um jogo. Um bom jogo, bem estruturado, tem o poder de cativar os jogadores e de envolvê-los de tal forma que estes não se apercebem do tempo passar, ao mesmo tempo que se divertem. Gamification é uma técnica que aplica características e mecânicas de jogos em contextos não lúdicos como a educação, a saúde, as empresas, a colaboração comunitária, entre outros, com a finalidade de cativar e motivar pessoas a atingirem determinadas objetivos e melhorarem resultados.

Porquê utilizar?

São várias as vantagens de uma boa aplicação de gamification que vão desde o aumento da performance dos funcionários, das vendas, da motivação, do envolvimento de pessoas num objetivo comum, da fidelização de clientes, até à alteração de comportamentos cívicos, para mencionar alguns. O que gamification faz é adicionar divertimento a processos, de forma a torná-los mais cativantes, ajudando as pessoas a focar-se mais e a transformar uma tarefa, por vezes aborrecida, em algo mais interessante.

Grandes empresas como a Microsoft, Samsung, Nike ou a American Express estão cientes das potencialidades desta ferramenta, tendo aplicado este conceito em várias áreas como o recrutamento, a formação interna, o marketing, sistemas de help desk, entre outros.

Os perigos

Os elementos de jogo como pontos, leaderboards, crachás, desafios, bens virtuais, níveis (progressões), entre outros, são as “matérias-primas” e ferramentas que podemos usar e aplicar com vista a “gamificar” um sistema, contudo isso é apenas uma parte do que necessitamos saber para obtermos sucesso. Muitas empresas pensam erradamente que aplicar aleatoriamente elementos de jogo num processo de negócio mudará magicamente esse processo tornando-o mais parecido com um jogo.
Não existe uma framework que garanta que a aplicação de determinados elementos de gamification conduza ao sucesso.
Certamente recompensas financeiras e reconhecimento profissional (leaderbords, crachás, etc.) poderão motivar algumas pessoas a atingir determinados objetivos mas certamente não todas. E essa motivação não durará eternamente. Como então tornar as coisas que temos que fazer divertidas e assim manter as pessoas motivadas?

Como implementar

O sucesso vai depender principalmente de conseguir trazer pessoas para o sistema e de as manter nele. É importante conhecer o público-alvo de forma a arranjar um ponto de equilíbrio entre o que os estimula e as mecânicas e elementos a usar para atingir os objetivos pretendidos. Para um grupo de vendedores, utilizar mecânicas de competitividade funciona melhor do que, por exemplo, para um grupo de recém-mães. Neste último funcionam melhor mecânicas colaborativas e sociais, e elementos como leaderbords não deverão ser os primeiros elementos de gamificação a implementar.

Conclusões

Perceber o que motiva cada pessoa a agir – a competição, a recompensa, a compensação, o status – e perceber se essa motivação varia de acordo com género, idade, extrato social é importante para o sucesso do sistema. Perceber quando uma característica é motivante ou não, com a clara noção de que nem todas as pessoas se motivam pelas mesmas coisas e, principalmente, criar um sistema verdadeiramente voluntário são todos aspetos importantes para conseguir implementar gamification com sucesso.

É contudo importante não esquecer os objetivos que se pretendem atingir e delinear os comportamentos alvo.
Cabe a quem desenvolve e aplica gamification a um sistema fazê-lo da forma mais correta, sendo que o maior desafio seja talvez o de criar “experiências” para o “jogador” – seja ele um colaborador, cliente, cidadão, aluno, ou outro – que este aprecie e que sinta que são voluntárias, e que simultaneamente vá ao encontro dos objetivos de negócio da organização que a implementa.


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Luís Sousa

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