Jorge Paulino, Portugal a Programar

25344
3
Share:

No sábado realizou-se o primeiro evento presencial da maior comunidade nacional de programação, o Portugal a Programar, que conta com mais de 27 500 membros activos. O Programar 2013, que teve lugar na sede da Microsoft, em Lisboa, foi um espaço de aprendizagem, de ideias e de networking, onde a Leak esteve à conversa com Jorge Paulino um dos administradores desta comunidade e um dos organizadores do evento.

Leak Business – Quando foi criada a comunidade Portugal a Programar?

Jorge Paulino – Para ser exacto, esta comunidade nasceu no dia 28 de Maio de 2005 pela mão de um grupo de estudantes para colmatar uma lacuna no que diz respeito à existência de espaços de discussão relacionados com programação. A um fórum de discussão, juntam-se actualmente diversos projectos em torno da comunidade, como uma wiki, um repositório de conteúdo variado, um portal de downloads onde normalmente se encontram textos académicos, tutoriais e artigos e ainda a aposta com maior dimensão, a revista bimestral programar. Esta publicação conta com 40 edições, tem mais de 300 artigos já publicados e tem uma média de 12500 downloads por edição, o que é significativo. No que diz respeito à comunidade, propriamente dita, contamos com 27 500 membros, o que por si só, é bastante significativo.

L.B. – Considerando o número tão elevado de membros é natural que as empresas portuguesas olhem para este projecto como algo a apoiar…

J.P. – É um facto e quando fazemos iniciativas e chegamos ao contacto com as empresas sentimos bastante apoio por parte das mesmas, nomeadamente na revista. Quer a Microsoft, quer a PCGuia, são empresas que nos têm apoiado. Também neste evento tivemos o apoio de várias empresas o que mostra que temos alguma importância e relevância no que concerne ao mercado nacional.

jorge2

Jorge Paulino e Rui Gonçalves, responsáveis pela organização do evento

L.B. – O vosso fórum é também um espaço de aconselhamento?

J.P. – Sem dúvida e é o nosso objectivo principal. Não queremos ajudar ninguém a fazer os trabalhos de casa, queremos ajudar na escolha das tecnologias, apresentarmos um caminho a seguir, essa é a nossa principal preocupação. Nós somos o acompanhamento e o aconselhamento e não propriamente uns solucionadores de problemas de uma forma rápida.

L.B. – Este é o primeiro evento presencial organizado pela vossa comunidade?

J.P. – É. No seguimento do crescimento da nossa comunidade e de todos os projectos adjacentes, este era digamos o passo a seguir. Um evento presencial que servisse o propósito de ouvir as pessoas da comunidade que normalmente apenas falam virtualmente, de nos conhecermos. Por exemplo, não conhecia muitas pessoas da nossa comunidade, porém agora tive oportunidade de o fazer. É importante para os conhecimentos, para o networking, para a criação de ideias, projectos e experiências. Por outro lado, o envolvimento de empresas permite que as mesmas apoiem os jovens e as suas iniciativas.

L.B. – É fácil ser-se programador em Portugal ou é mais vantajoso seguir-se esta carreira no estrangeiro?

J.P. – É exigente, muito exigente acima de tudo. Não é difícil ser-se programador, qualquer miúdo da escola o pode ser. Porém, existe um problema sério que é a questão do ordenado. Os programadores acabam a escola, são colocados a programar, recebem pouco e acabam por não terem grandes perspectivas de futuro. Isto acaba por influenciar as saídas e não permite às pessoas crescerem enquanto programadores. Este facto leva os indivíduos a procurarem opções fora do país. Infelizmente, não existem muitas oportunidades em Portugal. Há algumas, mas mal pagas e com pouca informação. Lá fora é totalmente diferente. Aposta mais nas pessoas e valorizam-nas mais. A prova é que temos grandes valores portugueses que acabaram por sair do país e hoje em dia estão muito bem no estrangeiro, sendo personalidades de referência.

L.B. – Entre moderadores e administradores, quando elementos constituem a equipa do Portugal a programar?

J.P. – Somos cerca de 15 aproximadamente. 4 ou 5 administradores e depois são moderadores que ajudam em diferentes áreas. Temos áreas que abordam o desenvolvimento web, dotnet, sistemas operativos, programação, matemática, algorítmica, todas essas áreas. Os moderadores não são polícias do fórum, mas sim pessoas com bastante know-how e que têm também a capacidade de análise do que é correcto ou não.

L.B. – O que faz falta à vossa comunidade?

J.P. – Precisamos de potenciar projectos. Nós temos alguns projectos, mas temos mais ideias e este evento é uma prova disso. Temos ideias, temos projectos e precisamos de potenciá-los, quer seja com a ajuda de empresas, quer com o apoio de outras comunidades. As pessoas têm de perceber que a solução não é cada um rumar para o seu lado. Devemos rumar todos para um objectivo comum. Queremos envolver todos e é esse trabalho que temos estado a fazer. Faz muita falta a participação das empresas, não propriamente com dinheiro que não é esse o objectivo, mas sim com informação, com experiência. Envolver outras comunidades é igualmente importante.

L.B. – As comunidades normalmente revelam interesse em participar?

J.P. – Tem havido receptividade, temos várias comunidades que já são parceiras, como a Leak que também nos tem apoiado, o que nós agradecemos bastante. Outras estão a começar agora a apoiar-nos e tenho a certeza que todos juntos vamos conseguir muito mais. Ninguém fica a perder, todos tempos a ganhar.

L.B. – Já estão a pensar no programar 2014?

J.P. – Sim até porque as coisas correram muito bem. Abrimos as inscrições e 3 dias depois atingimos o limite de lugares. Estamos já a pensar no Programar 2014 e talvez noutro sítio. Talvez no Norte. As pessoas têm solicitado com muita frequência que se faça este evento no Norte. É algo que acaba por ser muito interessante e envolve as pessoas dentro e fora da comunidade.

Mais informações sobre esta comunidade podem ser encontradas em http://www.portugal-a-programar.pt/

foto4 foto3 foto2 977090_10151510668088495_1313956746_o 976396_10151510668338495_693882046_o 460292_10151510672098495_894160081_o


Share:

3 comentários

    • Alberto Duarte Moreira 29 Maio, 2013 at 09:37 Reply

      Tenho pena de não termos tido feedback desse evento. Bem Vai haver agora um evento também interessante mas mais para designer nas belas artes em lx! Eu e o Carlos vamos lá estar hihihi

Deixe uma resposta