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Entrevistas

Entrevista: João Paulo Fernandes – Diretor-Geral de Vendas e Marketing da NEC Portugal

Patricia Fonseca

Publicado a

As cidades inteligentes destacam-se por utilizarem tecnologias digitais para darem resposta a problemas de desempenho, garantirem o melhor bem estar dos cidadãos e reduzirem o consumo de recursos energéticos. A NEC tem uma visão integrada e permanentemente atualizada para estas cidades e pretende que os serviços sejam disponibilizados aos cidadãos de uma forma mais eficiente, segura e sustentável. A Leak Business esteve à conversa com João Paulo Fernandes – Diretor-Geral de Vendas e Marketing da NEC Portugal que nos explicou de que modo as soluções da NEC podem contribuir para o desenvolvimento das cidades inteligentes, as soluções mais procuradas e abordou o caso português.

Patrícia Fonseca – Segundo a visão da NEC, no que consistem as cidades inteligentes?

João Paulo Fernandes – Na visão da NEC, as cidades inteligentes são aquelas que tiram partido das novas soluções tecnológicas hoje em dia disponíveis, para facultarem aos seus cidadãos mais segurança, serviços mais eficientes, mais sustentáveis e de mais agradável experiencia de utilização. São também aquelas que tiram partido dessas novas soluções para obter uma visão integrada e atualizada em permanência do estado dos serviços que disponibilizam aos seus cidadãos. Só através dessa visão integrada e permanentemente atualizada, os decisores da cidade poderão entender se o serviço disponibilizado corresponde às expetativas que para ele haviam sido criadas quando foi concebido, atuando de forma corretiva sempre que seja detetada uma lacuna entre o serviço disponibilizado e o serviço planeado e assegurando com isso uma melhoria constante no grau de eficiência e de satisfação dos cidadãos com a prestação de cada serviço.


P.F. – De que modo as soluções da NEC podem contribuir para o desenvolvimento das cidades inteligentes?

J.F – As soluções da NEC podem contribuir para o desenvolvimento das cidades inteligentes ao permitir que os serviços sejam disponibilizados aos cidadãos de uma forma mais eficiente, segura e sustentável. Em particular, a NEC disponibiliza soluções que permitem que o célebre aforismo “Só é possível gerir aquilo que é possível medir” seja, com resultados satisfatórios, aplicado às nossas cidades. Na verdade, as soluções para cidades inteligentes da NEC permitem não só medir o estado real de um qualquer serviço da cidade, como também que o mesmo seja realimentado e comparado com o estado desejado para esse serviço, de acordo com o seu planeamento, recomendando ações corretivas sempre que dessa comparação resultem lacunas entre o serviço real e o serviço planeado. No fundo, trata-se de dotar a cidade de mecanismos de recolha e tratamento de informação que lhe permitam, para cada um dos seus serviços, fechar o ciclo planear->implementar->medir->corrigir. Nas nossas cidades este ciclo fica-se, na maior parte dos casos, pela fase da implementação, dado não serem criados processos que permitam medir de forma contínua o resultado de um serviço para entender em que medida o mesmo está ou não de acordo com aquilo que havia sido planeado. Essa inexistência de mecanismos de informação sobre o estado real de cada serviço e sua comparação com o estado para ele desejado, impede a execução de ações corretivas que enderecem as lacunas entre objetivo pretendido para o serviço e resultado entregue pelo mesmo, resultando habitualmente em ineficiências na implementação do serviço e em insatisfação dos cidadãos na sua utilização.

P.F. – Quais são as principais áreas em que as vossas soluções incidem? (ex. Transportes, energia, estilo de vida?

J.F – Para além da oferta de uma plataforma central, o NEC Cloud City Operations Center, agregadora de toda a informação recolhida para os diferentes serviços da cidade e que disponibiliza um “painel de instrumentos” da cidade, que permite aos seus decisores entender em que medida cada serviço está a ser entregue aos cidadãos de acordo com os objetivos para ele planeados, recomendando ações corretivas sempre que sejam detetadas lacunas entre resultados atingidos e objetivos planeados, a NEC disponibiliza também soluções especificas para uma grande variedade de serviços, em áreas tão variadas como a energia, água, segurança e tráfego urbano.

Foto_Eng._João_Fernandes_NECP.F. – Quais as soluções mais procuradas?

J.F – As soluções mais procuradas dependem das dinâmicas e necessidades próprias de cada região. Assim, enquanto o NEC Cloud City Operations Center, pelo seu carater estruturante da informação, tem suscitado um interesse e procura elevados em todas as regiões do Globo, já as soluções de segurança são muito procuradas por cidades onde existe um sentimento de maior risco a esse nível, como nos EUA e em muitos países da Europa, enquanto as soluções que endereçam problemas de eficiência em certos serviços críticos como a energia ou a água, são mais procuradas pelas cidades onde existem infraestruturas envelhecidas ao nível desses serviços e para as quais é necessário encontrar soluções que permitam elevar os seus níveis de eficiência e de qualidade de serviço.

P.F. – É mais fácil transformar uma cidade “normal” numa cidade inteligente ou construir uma cidade de raiz?

J.F – Se fosse possível construir uma cidade completamente “de raiz”, é lógico que seria mais fácil implementar estas novas metodologias nessa situação, em que tudo seria construído a partir do zero. Contudo, esta é uma situação pouco mais do que meramente teórica, já que todas as cidades, em maior ou menor grau, já têm algum tipo de infraestrutura que tem de ser integrada com as novas soluções para cidades inteligentes. Essa capacidade de integração tem pois de fazer parte da oferta habitual de qualquer empresa que se dedique ao fornecimento de soluções para cidades inteligentes.

P.F. – Portugal está preparado para receber as cidades inteligentes? Porquê?

J.F – Começamos a ver, por parte de um número crescente de municípios portugueses, uma cada vez maior atenção e sensibilidade ao tema das cidades inteligentes. Esta maior atenção e sensibilidade são muito importantes, para que os municípios portugueses possam entender as vantagens que a adoção destas novas soluções lhes podem trazer e não deixem de aproveitar as oportunidades de financiamento da implementação das mesmas, que os novos fundos europeus colocados à disposição de Portugal no âmbito do Acordo de Parceria Portugal 2020, lhes irão trazer no decorrer dos próximos anos.

smart-cityP.F. – As cidades inteligentes podem representar uma ameaça à privacidade dos residentes?

J.F – Portugal tem um dos quadros legais mais restritivos ao nível da Europa, em termos de proteção de dados. Acreditamos por isso que a implementação das soluções para cidades inteligentes, que terão naturalmente de levar em conta esse enquadramento legal, não representarão uma ameaça para a privacidade dos residentes. Dito isto, entendemos também que as ameaças e riscos à segurança dos cidadãos com que crescentemente nos vemos, todos, confrontados, colocam a questão cada vez mais urgente de debatermos se o atual ponto de equilibro entre dois direitos básicos que assistem a qualquer cidadão – o de defesa da proteção dos seus dados pessoais e da sua privacidade e o de garantia da sua segurança – é adequado ou deverá ser repensado. Seria importante que esse debate fosse iniciado a curto prazo em Portugal, para que das conclusões e consenso por ele atingido se pudesse concluir se o atual quadro legal relativo à proteção de dados é adequado ou se deve ser alterado.

P.F. – Quais os principais desafios que enfrentam no desenvolvimento de uma cidade inteligente?

J.F – Encontramos dois grandes desafios na adoção de soluções para cidades inteligentes. O primeiro, passa por sensibilizar os decisores políticos das cidades para as vantagens ao nível de eficiência, sustentabilidade, segurança e qualidade do serviço prestado aos cidadãos que advêm da implementação destas soluções. O segundo, tem a ver com o enquadramento financeiro destas novas soluções dentro dos orçamentos, tipicamente muito limitados, da maior parte dos municípios. É por isso que urge assegurar que um cada vez maior número de autarcas está informado e sensível a esta questão, para que possam aproveitar as oportunidades de financiamento que nesta área irão surgir por força do Programa Portugal 2020, não desperdiçando esta oportunidade para modernizarem e melhorarem os serviços que prestam aos seus cidadãos.

P.F. – Que países estão mais preparados para receberem as cidades inteligentes?

J.F –  Atendendo à resposta anterior, serão aqueles países cujas cidades disponham de decisores mais atentos e sensíveis a esta nova realidade e que, simultaneamente, disponham dos recursos financeiros necessários para avançar com a sua implementação.

P.F. – Que objetivos têm traçados para um futuro próximo no campo das cidades inteligentes?

J.F – Contribuir para a divulgação e sensibilização dos nossos autarcas para as vantagens destas novas soluções, apoiando-os nas iniciativas que levem a cabo para a sua implementação e procurando que o número de cidades inteligentes em Portugal cresça de forma sólida, assegurando com isso ganhos de eficiência, sustentabilidade, segurança e qualidade dos serviços que prestam aos cidadãos.

Viciada em tecnologia, entrou para a equipa em 2012 e é responsável pela Leak Business, função que acumula com a de editora da Leak. Não dispensa o telemóvel nem o iPod e não consegue ficar sem experimentar nenhum dispositivo tecnológico.

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