Entrevista: Francisco Costa, partner da Odisseias

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A Odisseias nasceu com o objectivo de dar aos portugueses viagens diferentes, programas alternativos a que poucas pessoas tivessem acesso. Um sonho que começou em 2005, cresceu, expandiu-se e actualmente esta empresa na venda de packs em loja tem cerca de 70% de quota de mercado. A Leak Business esteve à conversa com Francisco Costa, partner da Odisseias, que nos explicou como nasceu esta empresa, o tipo de experiências disponibilizadas e analisou as alterações ao perfil do consumidor português ao longo dos anos.

Patrícia Fonseca – Como nasceu a Odisseias?

Francisco Costa – Em 2005, os dois fundadores da empresa organizaram uma viagem a Marrocos no âmbito de uma associação juvenil, e ficaram com vontade de criar uma empresa que proporcionasse às pessoas momentos maravilhosos como aqueles que tiveram na viagem. Queríamos uma empresa que tivesse como produto principal viagens diferentes, programas alternativos a que poucas pessoas tivessem acesso. No entanto, depressa percebemos de que, com uma pequena alteração, era possível realizar os sonhos dos portugueses, e pouco tempo depois demos início à empresa, e abrimos as portas ao mercado das experiências.


P.F. – A Odisseias é uma das poucas empresas de disponibilização de experiências que conseguiu subsistir e distinguir-se onde outras falharam. Qual o segredo do vosso sucesso?

F.C. – Durante 10 anos a génese do nosso negócio manteve-se, que é a de oferecer experiências e produtos inesquecíveis, através de soluções inovadoras, com o melhor preço e serviço ao cliente, mas a operacionalização do mesmo cresceu muito em termos de produtos, experiências disponíveis e de canais para chegar ao consumidor. Em 2005 o nosso foco estava nos vouchers online de experiências, que é uma área que mantemos hoje. No primeiro Natal vendemos 20 experiências, os sócios fundadores da empresa entregaram-nas pessoalmente em casa dos clientes, hoje vendemos em média 3000 por dia. A entrada na distribuição em 2008 com os nossos packs Experiência foi uma grande aposta, visto o investimento financeiro e o knowhow que tivemos de adquirir ter sido muito exigente. Mas, com esta aposta conseguimos uma liderança de mercado sólida, na venda de packs em loja temos cerca de 70% de quota de mercado e nas experiências online somos a empresa líder e de referência com 30% de quota de mercado.

P.F. – Qual o tipo de experiências que os portugueses mais procuram?

F.C. – Os portugueses querem experiências diferentes, uma forma de fugir à sua rotina e esquecer durante umas horas ou dias os problemas do dia-a-dia, e querem partilhar esses momentos com as pessoas mais importantes. Por isso, temos registados de ano para ano um aumento muito significativo nas vendas de experiências a dois, como os packs Experiência Spa a dois e Fugas a dois. Contudo, no geral a gama de Packs Spa e Fugas são as que têm maior procura, no que se refere aos packs.

Quando falamos das promoções online, a procura não se acentua em nenhuma área, existe uma maior uniformização, mas destacamos as viagens, restaurantes, moda e beleza.


P.F. – O que gerou mais procura no passado Natal?

F.C. – Os produtos físicos registaram nesta altura uma grande procura, principalmente os brinquedos, jóias, moda, decoração e tecnologia, além da nossa área de vinhos e produtos gourmet. No entanto, existiu também uma grande procura em viagens e estadias, bem como SPA, restaurantes e aventura. Em termos de packs Experiência, os que têm registado maior procura são as experiências a dois: Spa a dois, Fugas a dois, e também os packs que criámos para alturas especiais, como o Pack Experiência Feliz Natal, Momentos Inesquecíveis e Love.

P.F. – De que modo se pode adquirir os vossos produtos?

F.C. – Os nossos produtos estão ao alcande de qualquer consumidor, pois se no início focámos a nossa venda através do canal online, agora temos já os nossos quiosques no Colombo, NorteShopping, DolceVita Tejo e Almada Fórum e os pontos de venda Fnac, Worten, Continente, Rádio Popular, Media Markt, Jumbo, El Corte Inglés, Note e CTT, e ainda as lojas físicas Odisseias nas Galerias Saldanha Residence em Lisboa, no Shopping Cidade do Porto – Bom Sucesso e no Centro Comercial Alto da Barra, Oeiras. Os produtos online podem ser comprados em www.odisseias.com, e os nossos clientes podem receber em casa ou levantar numa das nossas lojas, onde os portes de envio não têm qualquer custo.

P.F. – Como se tem modificado o comportamento dos consumidores portugueses ano após ano?

F.C. – Todos os anos temos realizado estudos próprios, e observamos que as portugueses cada vez compram mais online. Por exemplo, este Natal os dados mostram que cada português irá comprar 11 presentes para a família e amigos, e desses, cinco vão ser através de compra online, o que represente quase 50% do total. A Marktest realizou também um estudo recentemente, onde afirma que cerca de 4,7 milhões de utilizadores portugueses acederam a sites de ecommerce no terceiro trimestre do ano.

P.F. – Quais as razões para estas alterações?

F.C. – De ano para ano, o número de pessoas com acesso à internet tem aumentado, são mais de 4 milhões de portugueses que têm hoje um smartphone e que podem realizar compras através do mobile, sem falarmos que praticamente todos os portugueses tem acesso a um computador com internet. Além disso, no online os preços são habitualmente mais baixos, pois as lojas não estão apenas a competir com a concorrência que existe em determinado centro comercial, mas sim com as lojas online existentes em todo o mundo. Se a somarmos a isso a falta de tempo que os portugueses têm para perderem horas em filas para pagar e embrulhar em centros comerciais, rapidamente percebemos que o ecommerce não é uma moda passageira, mas sim algo que veio para ficar.

P.F. – Qual a previsão para os próximos anos?

F.C. – O ano de 2015 representa para a Odisseias um marco muito importante, pois a empresa comemora 10 anos, vamos lançar novos projectos de ecommerce que oportunamente serão divulgados, e ao mesmo estamos a estudar aquisições de projectos já existentes que complementem a nossa operação.

Tem sido uma aventura vertiginosa com taxas de crescimento muitas vezes nos três dígitos. O entusiasmo é o mesmo de quando começamos. A nossa perspetiva é termos um crescimento no mínimo de 40%. Nos últimos anos aumentámos o volume de negócios 300% em 2012, 140% em 2013 e, este ano, está previsto um aumento de 70%, para 15 milhões de euros.

O nosso objetivo é até 2020 sermos líderes do comércio electrónico em Portugal.


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