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Entrevistas

Daniel Mauerhofer – Western Digital

Patricia Fonseca

Publicado a

A Western Digital, o maior fabricante mundial de discos rígidos, acaba de apresentar os resultados financeiros do terceiro trimestre do corrente ano fiscal, que mostram um crescimento substancial face ao mesmo período do ano passado, altura em que a empresa – e o resto da indústria – se encontrava ainda sob os efeitos das cheias na Tailândia, que afetaram gravemente a capacidade de produção no final de 2011.

No entanto, se o pior já passou ao nível do restabelecimento da capacidade de produção, a verdade é que os desafios não podiam ser maiores numa altura em que o mercado se encontra no meio de uma enorme revolução – os serviços na nuvem substituem o armazenamento local, os PCs surgem secundarizados face aos dispositivos móveis e novas tecnologias ameaçam o papel dos discos rígidos tradicionais.

Daniel Mauerhofer, responsável pelas relações públicas da WD para a região EMEA (Europa Médio Oriente e África) e Índia, falou à LEAK Business sobre estes e outros desafios ao mesmo tempo que explica o que está a empresa a fazer para se preparar para o futuro.

P. O que está a WD a fazer para enfrentar os desafios da queda de vendas dos computadores pessoais, que são tradicionalmente os maiores drivers do consumo de discos rígidos?

É verdade que o mercado dos PCs, incluindo tanto máquinas de secretária como portáteis, está a sofrer um declínio à medida que as preferências dos consumidores mudam para dispositivos móveis e ultra-portáteis, tais como smartphones e tablets.

Poderíamos inferir que esta é uma tendência negativa porque há uma mudança de equipamentos que integram discos rígidos, para dispositivos que os dispensam. Mas nós não vemos a questão assim. O crescimento contínuo neste segmento de equipamentos – geralmente designado “thin and light” – constitui na verdade uma sólida oportunidade para a WD. Isto porque se trata de dispositivos usados muitas vezes para criar e armazenar grandes quantidades de conteúdos pessoais, tais como fotos de alta resolução, vídeos Full HD (1080p), etc., o que significa que existe uma forte procura para grandes capacidades de armazenamento.

P. Mas a maior parte desses dispositivos funciona com armazenamento em memória Flash…

Por enquanto, a memória Flash é ainda uma proposta dispendiosa em termos de custo por megabyte ou gigabyte. Dada a procura por armazenamento e o crescimento explosivo deste segmento, a WD tem-se focado também em produzir produtos de armazenamento para estes dispositivos.

O primeiro destes novos componentes de espessura reduzida foi o disco rígido WD Blue de 500 GB e 7 mm de espessura (a maioria dos discos tradicionais de 2,5’’ tem 9,5 mm de espessura). Na passada semana alargámos a nossa gama de discos destinados ao segmento “thin and light” com o lançamento de discos ainda mais finos, com 5 mm de espessura, quer com tecnologia convencional (WD Blue) quer com tecnologia híbrida (WD Black SSHD), ambos idealmente destinados a utilizações que requerem a integração de grande capacidade de armazenamento em dispositivos finos e leves, como tablets e ultrabooks.

Com estas unidades, os engenheiros que anteriormente tinham restrições em termos de preço, tamanho físico e capacidade, possuem agora uma solução viável que responde a todos os critérios. Estas unidades têm o melhor desempenho acústico e tolerância aos choques da sua classe, pelo que são ideais para computação móvel. Os novos discos são apenas uma parte do nosso compromisso “Power of Choice”, uma vez que oferecemos uma gama de discos rígidos que são concebidos especificamente para diferentes segmentos do mercado e das suas necessidades próprias.

P. Como vê o crescimento do mercado nos próximos 12 meses?

Enquanto o mercado dos PCs está em declínio, o crescimento explosivo que estamos a assistir ao nível do consumo, das PMEs e das grandes empresas apresenta uma sólida oportunidade para a WD aproveitar. Os dispositivos de armazenamento de memória Flash, como é o caso dos SSDs, oferecem elevado desempenho, mas estão limitados em termos da capacidade oferecida e são também ainda muito caros. Em resultado disto, os discos rígidos continuarão a ser a forma de armazenamento dominante durante este ano.

O crescimento explosivo dos dados e a necessidade de os armazenar e partilhar significa que os discos rígidos de grande capacidade, como é o caso do nosso recém-introduzido WD Black de 4TB para o mercado de consumo, continuarão a ter uma forte procura relativamente aos discos mais pequenos, no mercado dos PCs – quer em equipamentos novos, quer nos que precisam de ser atualizados.

Consumidores com os seus atuais computadores, quer desktops, quer portáteis, provavelmente procurarão uma forma de aumentar a sua capacidade de armazenamento interna ou através de unidades externas – ambas as quais a WD oferece – de forma a poderem continuar a sua vida digital dominada pelos conteúdos. Ao mesmo tempo, os consumidores estão cada vez mais atentos à necessidade de fazer backups dos seus dados, mantendo pelo menos duas cópias de quaisquer ficheiros vitais, o que aumenta também as necessidades de armazenamento.

Quer os consumidores finais, quer as PMEs com grandes necessidades de armazenamento de dados irão voltar-se cada vez mais para soluções de armazenamento mais robustas capazes de oferecer funcionalidades de conetividade, redundância e capacidade de acesso remoto aos dados. A empresa de consultoria Parks Associates estima que só o mercado dos EUA para estes dispositivos tipo NAS poderá crescer até aos 4.400 milhões de dólares em 2014.

Do ponto de vista dos componentes, a WD está empenhada em aproveitar esta oportunidade com produtos como a linha de discos rígidos RED, especificamente criada para utilizadores SOHO de NAS e desenhada para dispositivos NAS até cinco discos. A WD também possui a sua própria linha de NAS para consumidores sob a forma das unidades My Book Live e My Book Live Duo, e também para PMEs, com o WD Sentinel DX4000.

O segmento empresarial deverá também sofrer um tremendo crescimento nos próximos meses e anos, graças à popularização dos serviços na nuvem e das plataformas de virtualização. Para este segmento, possuímos uma gama de discos rígidos internos, tais como as linhas WD XE e WD RE. A WD está já também a trabalhar na expansão do seu portefólio neste espaço, com uma nova gama de produtos que deverão ser lançados no final deste ano e que irão ter como alvo cenários de utilização muito específicos dentro deste mercado.

P. O que pensa a WD dos discos rígidos híbridos e como vê a evolução deste segmento no contexto da queda das vendas dos PCs?

Existem na realidade dois tipos de soluções híbridas envolvendo tecnologias de armazenamento “solid state” (memória Flash) e suportes magnéticos rotativos. O primeiro tipo de discos híbridos conjuga dois dispositivos fisicamente separados – discos “solid state” (SSDs) e discos rígidos (HDD) – através de uma ligação de software dentro do mesmo dispositivo.

O segundo tipo consiste numa solução mais integrada – um dispositivo único que combina de forma inteligente memória Flash tipo NAND e elementos de discos magnéticos para oferecer alto desempenho e elevada capacidade a um preço próximo de um disco rígido tradicional. A estes chamamos “solid-state hard drives” ou SSHDs.

Juntamente com a unidade WD Blue de 5 mm lançada esta semana, a WD iniciou também a entrega aos OEMs de unidades SSHD WD Black. Graças à sua espessura reduzida (também de 5 mm), elevado desempenho e preço competitivo, estas unidades SSHD pode ser usadas em notebooks “thin and light” tais como ultrabooks, discos externos ultra-portáteis e tablets.

Acreditamos que o mercado para SSHDs se encontra hoje entre 1,5 e 2 milhões de unidades/ano, mas este é um valor que deverá escalar de forma significativa, à medida que os fabricantes de PCs e de tablets procurem soluções de armazenamento que ofereçam uma combinação de preço, desempenho e capacidade num formato físico que possam usar.

Viciada em tecnologia, entrou para a equipa em 2012 e é responsável pela Leak Business, função que acumula com a de editora da Leak. Não dispensa o telemóvel nem o iPod e não consegue ficar sem experimentar nenhum dispositivo tecnológico.

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