Conheça as tendências que o mercado de BI vai enfrentar

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A convite da recém-lançada comunidade BItuga revelou a semana passada a mais de 50 especialistas de diversas empresas públicas e privadas, no auditório da Novabase em Lisboa, as tendências do utilizador e de TI que vão interferir no mercado do BI.

Com mais de 30 anos de actuação no mercado do analytics e data management, abriu o evento revelando que “o maior desafio do BI hoje não está na gestão nos problemas tecnológicos, que se conseguem superar facilmente, mas na gestão das pessoas envolvidas nos processos e nos utilizadores”.

Ao abordar as tendências que o BI vai enfrentar, Donald Farmer começou por revelar as associadas ao utilizador, “as mais importantes de todas para a transição dos actuais 28% de utilizadores de BI para os outros 72% que não usam”. Destacou desde logo “O mundo das pesquisas”, isto é, a utilização diária por todos nós de motores de pesquisa como o Google na obtenção de informação crítica, onde e quando precisamos. Relevou aqui factores como a grande simplicidade, um interface muito prático, a rapidez e um conjunto alargado de hipóteses de resultado. O paralelismo para com o BI prende-se com a necessidade premente dos utilizadores quererem a mesma experiência com as suas ferramentas de BI, “sem terem que aprender uma linguagem específica ou esperar dias ou semanas por respostas, ferramentas Google like”.

Pegando no conceito da evolução tecnológica, o hoje responsável por grande parte do desenvolvimento da nova oferta de Business Discovery da QlikTech, prosseguiu para a tendência da “Mobilidade”, introduzindo desde logo o conceito de Bring Your Own Device (BYOD), numa lógica de “hoje os utilizadores estarem muito evoluídos do ponto de vista tecnológico e terem a nível pessoal, e regra geral, mais capacidade tecnológica instalada que a existente na sua empresa”. Destacou três evoluções significativas associadas a este conceito. Por um lado, a possibilidade de hoje se poder tocar a informação pela existência dos ecrãs tácteis nos vários equipamentos com que interagimos. Por outro, o conceito de “lean forward” por oposição ao de “lean back”, isto é, o do consumo da informação numa postura descontraída e não rígida como habitualmente na nossa secretária de trabalho. Terceira e altamente relevante, a utilização de Apps pelos utilizadores para gerir o seu dia-a-dia, que interferem cada vez mais na vida profissional (exemplos como a Dropbox).

A terceira e última tendência que destacou e que veio em linha com “toda a forma como eu especificamente quero aceder á informação no software que acho mais adequado” prende-se com a “Visualização da Informação”. “O utilizador hoje quer informação visualmente apelativa mais do que numérica. Quer gráficos simples que permitam análises rápidas e decisivas. No fundo quer navegar pela informação de uma forma tão simples quanto navega no Facebook ou no Google”.

Transitando para as tendências de TI, Donald Farmer começou por destacar e aprofundar mais a temática do BYOD. Reforçou a questão de hoje estarmos tecnologicamente muito mais evoluídos e termos uma capacidade tecnológica em nossas casas muito elevada, e assim, de querermos utilizar a tecnologia do mesmo tipo ou mesmo os nossos equipamentos no trabalho. Curiosamente e tendo sido um acérrimo crente que seria algo que as novas gerações mudariam, a realidade com que tem interagido, “tem passado mais por uma abordagem de «cima para baixo», em que só quando o C-Level adopta é que a empresa passa a adoptar no seu todo”.

Ao nível das TI deu depois importância à tendência de “Big Data”, conceito que confessou estar cansado de ouvir e que trocou antes por “Business Applications” por o mercado “precisar mais de soluções que permitam resolver problemas pequenos e críticos rapidamente do que grandes plataformas de resolução de problemas, que demoram muito tempo a implementar e quando são efectivadas já não respondem a questões chave que foram colocadas há meses atrás”. Revelou não deixar “de acreditar no desenvolvimento de grandes plataformas de gestão de informação mas consubstanciadas com plataformas mais pequenas e integráveis que permitam ver aos utilizadores, resultados concretos ao longo do tempo, que os motivem a utilizar o BI”.

Por fim destacou a tendência de “Cloud”, onde lançou desde logo o desafio de como é que se poderá gerir o upload de informação para nuvens diferentes e a sua gestão integrada e eficaz na lógica do que o utilizador hoje quer de pesquisa, rapidez e visualização. Neste momento acredita ser “praticamente impossível garantir uma solução de BI que faça a gestão de fontes diferentes de sistemas diferentes, alojados em várias nuvens. A única possibilidade será ter na mesma nuvem e sobre o mesmo sistema essa gestão e aí uma aplicação do BI restrita para uma função específica, assente numa lógica sobretudo de PaaS”.

Após pequeno interregno para networking entre os presentes, Donald Farmer veio mostrar o que a sua empresa QlikTech está a fazer com a sua plataforma de Business Discovery de nova geração QlikView, no qual destacou o seu enfoque nos 72% de não utilizadores de BI e assim da aposta na empresa no conceito de Social Business Discovery. Com esta proposta a empresa tem apostado na criação de uma ferramenta de BI que permite ao utilizador navegar pela informação de forma simples e prática, tirando o máximo partido da interligação de todo o tipo de fontes de dados (inclusive ferramentas de BI concorrentes ou redes sociais) de uma forma robusta, colocando todos os dados em memória e assim acessíveis em poucos segundos. Ao mesmo tempo, no desenvolvimento de uma ferramenta que garanta ao departamento de TI mostrar aplicações e resultados concretos num curto espaço de tempo e lhes permita tornar cada utilizador um “power user”, dotando-o de desenvolvimento das suas análises dos dados, onde e quando precisam nas plataformas que precisam (a QlikTech foi a primeira empresa a ter uma aplicação de BI para iPhone).

Passou para um segundo nível de intervenção da solução que foi uma aposta na última versão lançada em 2011 – QlikView 11 – nomeadamente da possibilidade de partilha controlada das análises efectuadas e mesmo dashboards com outros utilizadores na estrutura ou mesmo pessoas de relevo que não tenham o QlikView instalado, para uma verdadeira experiência de BI social e uma “descoberta de dados” sem limites.

Em nota final, Donald Farmer reiterou “os profissionais do BI devem manter-se actualizados nas soluções tecnológicas mas procurar, sobretudo, entender e gerir a interacção com os utilizadores que são sempre o maior desafio. Nesse sentido, e pelo contexto económico actual, devem desenvolver projectos que no espaço de não mais que três meses permitam aos seus colegas/ clientes empresariais verem resultados de uma forma muito apelativa e que lhes permitam até descobrir coisas sobre a sua empresa que não faziam ideia. No fundo, surpreendê-los”.


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Patricia Fonseca

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