Opinião
Ciberataques móveis afetam 100% das empresas
As empresas de todo o mundo adotam cada vez mais programas de mobilidade para impulsionar a sua produtividade e a sua rentabilidade. E, consequentemente, os cibercriminosos apontam cada vez mais as suas baterias aos smartphones e tablets de utilização profissional.
O nosso último estudo, realizado pela equipa de investigação de ameaças móveis da Check Point, não deixa espaço para dúvidas: a mobilidade empresarial está a ser constantemente atacada, afetando a todas as regiões e indústrias, tanto no Android como no iOS. As ameaças para os utilizadores móveis são inumeráveis e poderosas, e em última instância são capazes de comprometer qualquer dispositivo, acedendo a dados confidenciais em qualquer momento.
Todas as empresas analisadas sofreram pelo menos um ciberataque contra os seus dispositivos móveis durante o ano passado, com uma média de 54 malwares enfrentados por empresa. Segundo o estudo, 89% experimentaram pelo menos um ataque de man-in-the-middle através de uma rede Wi-Fi, e 75% tinham pelo menos um dispositivo iOS com jailbreak ou um Android a que tinha sido feito root conectado às suas redes empresariais, com uma média de 35. Estes resultados são muito preocupantes, porque os processos de root ou jailbreak eliminam toda a segurança que os sistemas operativos da Apple e Google proporcionam.
No que se refere a sectores, a banca (29%) e a administração pública (26%) registaram a maioria dos ataques de malware móvel. Ambas as indústrias contêm dados muito valiosos para os cibercriminosos, como grandes volumes de informação financeira e pessoal. As empresas tecnológicas também têm sido muito afetadas pelo malware.
O estudo também apresenta resultados surpreendentes sobre o malware dirigido aos dispositivos iOS. Este sistema operativo é considerado uma plataforma mais segura que o Android, e algumas organizações exigem que os seus colaboradores utilizem os seus dispositivos para melhorar a segurança, mas o certo é que os iPhones e iPads estão longe de ser imunes aos ciberataques.
Em termos geográficos, o continente americano foi a região mais afetada, com 39% das ameaças, seguido da região Ásia-Pacífico, que representou um terço de todos os ataques móveis. Algumas das campanhas massivas mais importantes deste ano, como HummingBad e CopyCat, têm a sua origem nessa parte do mundo
Com estes dados, a nossa previsão é que os ataques móveis continuem a crescer em proporção e sofisticação nos próximos anos. O mundo do malware para iOS e Android tem um grande potencial para os cibercriminosos: são mais fáceis de piratear que os computadores pessoais, e possuem uma informação ainda mais sensível.
Para combater os atacantes, a segurança móvel deve incluir um sistema de componentes que trabalhem em conjunto para identificar uma ampla variedade de ameaças e proteger os dados, ao mesmo tempo que se abordam as preocupações de privacidade dos colaboradores das empresas. Só as soluções que conseguem analisar o comportamento em todos os vetores para obter indicadores de ataque podem proteger eficazmente os dispositivos móveis e mantê-los seguros.
Rui Carneiro Duro, Sales Manager da Check Point Portugal