CERTIEL debate introdução de pontos de carregamento para veículos elétricos em instalações domésticas

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A CERTIEL reuniu no passado dia 28 de março cerca de meia centena de engenheiros eletrotécnicos, num encontro nacional, onde foram debatidas, entre outras, soluções relacionadas com a introdução de pontos de carregamento para veículos elétricos em instalações domésticas. O encontro teve lugar no Hotel Tivoli Oriente e permitiu a troca de experiências e know-how entre os participantes sobre o desenvolvimento de instalações para o carregamento de baterias de veículos elétricos em diferentes contextos, além da análise do paradigma da mobilidade elétrica em Portugal e de projetos associados.

No que respeita às instalações domésticas para carregamento de veículos elétricos, concluiu-se que estas devem ser adaptadas ao tipo de edifício, sendo que em edifícios antigos, poderão existir constrangimentos ao nível de arquitetura e das instalações elétricas, devendo ser encontradas soluções que não impeçam o acesso ao carregamento do veículo. Além da instalação de pontos de conexão para veículos elétricos em instalações de acesso privado, para uso exclusivo ou partilhado, sejam em moradias, edifícios coletivos, hotéis e restaurantes, foram também abordados tipos de soluções técnicas a utilizar em instalações de acesso público, como parques de estacionamento públicos ou estacionamentos de supermercados, com acesso ao público em geral.

Carlos Ferreira Botelho

«A mobilidade elétrica terá, inevitavelmente, um impacto significativo na atividade da CERTIEL, no que respeita à avaliação e apoio no desenvolvimento de instalações que permitam suportar o carregamento de veículos elétricos», referiu Carlos Ferreira Botelho, diretor-geral da CERTIEL, na abertura do encontro. O responsável da associação certificadora das instalações elétricas considera que «o percurso da mobilidade elétrica em Portugal tem sofrido altos e baixos, desde a criação do Programa para a Mobilidade Elétrica em 2009, sendo que alguns dos retrocessos associados a este percurso estão relacionados com o contexto de crise e com imposições da troika. No entanto, a recente revisão do enquadramento da mobilidade elétrica poderá trazer um novo fôlego».

O primeiro tema em análise no encontro, em jeito de introdução, foi “O Desenvolvimento de um Paradigma de Mobilidade elétrica em Portugal”, que contou com a intervenção de Rui Marques, secretário-geral da APVE – Associação Portuguesa do Veículo Elétrico. «A mobilidade elétrica tem-se desenvolvido devagarinho, mas acreditamos que daqui a dois ou três anos estejam criadas condições que permitam uma maior competitividade dos veículos elétricos», considera o responsável da APVE. Rui Marques explicou ainda que apesar da baixa dos veículos eléctricos, estes têm «uma motorização mais eficiente, cerca de 89% da energia armazenada é usada, uma percentagem que nos veículos com motor a gasolina se situa apenas nos 20% e 25% nos motores a gasóleo».

A propósito das soluções de postos de carregamento de veículos elétricos para a rede pública, Maria do Rosário Calado, professora do Departamento de Engenharia Eletromecânica da Universidade da Beira Interior (UBI), apresentou um projeto desenvolvido em parceria com a Enforce, o I_ES, um posto de carregamento de veículos elétricos com produção de energia fotovoltaica, injetada diretamente na rede elétrica. O I_ES permite a realização de carregamentos entre períodos de 20 minutos até oito horas, em quatro modalidades, soluções de carregamento que diferem na potência transferida durante o carregamento e na duração do mesmo, variando o tipo de cabos, fichas e tomadas utilizadas e as condições da instalação elétrica a montante.

Sílvia Antunes

Ainda durante a manhã do encontro, como que percorrendo o fio que do posto de carregamento de veículos elétricos desenvolvido pela UBI, os participantes “encontraram” na outra extremidade da ficha, o veículo elétrico Veeco, totalmente desenvolvido em Portugal e que no encontro da CERTIEL foi apresentado por Celso Menaia. «O projeto Veeco foi desenvolvido ao longo de três anos, entre 2009 e 2012, com o objetivo de criar um desportivo elétrico capaz de atingir uma autonomia até 400 quilómetros», explica o responsável. Este veículo conta com baterias de iões de lítio e pode circular em todas as vias, incluindo vias rápidas e auto-estradas, atingindo uma velocidade máxima de 160 quilómetros por hora. O Veeco RT resulta de uma parceria desenvolvida entre o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e a VE – Fabricação de Veículos de Tração Elétrica, do Entroncamento.

Durante a tarde, Sílvia Antunes, da CERTIEL, apresentou os diversos cenários, para posterior análise dos participantes, no âmbito da possibilidade de instalação de pontos de conexão para veículos elétricos em instalações de acesso privado e público, para uso exclusivo ou partilhado. Em análise estiveram situações de instalação de pontos de carregamento em moradias, em garagens de prédios, hotéis e restaurantes, com a abordagem de todas as questões técnicas inerentes, respeitando a legislação vigente. José Caldeirinha, também da CERTIEL, teve ainda oportunidade de abordar a questão da eficiência energética nestes cenários, com a adoção de medidas técnicas associadas à utilização de cabos condutores de 4 milímetros quadrados de espessura, ao invés dos 2,5 milímetros quadrados, atualmente exigidos.

Por fim, após a realização dos trabalhos técnicos sobre os cenários analisados, João Bencatel, presidente da CERTIEL, fez o encerramento do encontro, salientando o desafio e a missão assumida pela CERTIEL e pelos seus profissionais de colocar o seu know-how ao serviço da sociedade.


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