Apenas 20% das PME Portuguesas Transformam Modelos de Negócio

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A SAP Portugal apresentou hoje os resultados do estudo de mercado “PME: Equipadas Para Competir”, realizado pela Oxford Economics, analista de mercado independente, para o mercado português e mais 20 países a nível mundial, para compreender como é que as pequenas e médias empresas estão a competir num mercado cada vez mais global e como é que estão a transformar os seus negócios face às diferentes realidades económicas e aos requisitos dos clientes. A utilização da tecnologia para potenciar a inovação, a flexibilidade e expansão dos seus negócios foram outros parâmetros analisados neste estudo.

80% das PME portuguesas não têm qualquer iniciativa de transformação do negócio

Segundo este estudo, realizado junto de executivos de 2100 empresas de 21 países de todo mundo (100 empresas por cada país), pertencentes a cinco sectores de actividade, dois terços do total das empresas inquiridas estão em alguma fase do processo de transformação dos seus negócios para competirem, embora as PME portuguesas estejam longe desta realidade, uma vez que 80% referiram não ter qualquer iniciativa de transformação do negócio a começar, em curso ou concluída recentemente.

“Uma das conclusões a retirar deste estudo é que as PME portuguesas precisam de iniciar rapidamente processos de transformação dos seus negócios para poderem competir no mercado local e internacional, algo que a maioria das suas congéneres internacionais já estão a fazer”, refere Jorge Reto, Director Comercial da SAP Portugal. “Um factor bastante positivo é que as PME portuguesas vêem na inovação e na tecnologia o caminho para o crescimento, o que poderá vir a dinamizar iniciativas de transformação dos negócios”.

De facto, Portugal é o país da Europa onde as PME estão a apostar menos na mudança dos modelos de negócio, tecnologia, ofertas de produto e estratégias de mercado. Apenas 4% das PME nacionais estão com iniciativas de transformação do negócio em curso, enquanto noutros países da Europa esta realidade é bastante diferente, apresentando taxas muito superiores (22% em Espanha e Polónia); (19% em França); (18% em Itália e Reino Unido); (16% na Alemanha).

O fosso ainda é maior ao nível das intenções de desenvolvimento de iniciativas de transformação do negócio significativas. Em Portugal, apenas 5% das PME dizem estar a planear uma transformação de negócio significativa, enquanto nos outros países europeus esta intenção é claramente superior (54% na Alemanha); (51% em França e Reino Unido); (48% em Itália); (43% em Espanha); (38% na Polónia).

Transformação de negócio das PME nacionais baseia-se na adopção de competências digitais

As iniciativas de transformação de negócio levadas a cabo apenas por 20% das PME portuguesas basearam-se prioritariamente na adopção de competências digitais através da contratação, formação ou aquisições. Enquanto esta estratégia foi apontada por 45% das PME portuguesas, só 20% das empresas a nível global, adoptou este racional estratégico.

Quanto às três principais tendências que estão a afectar o negócio das PME portuguesas, a mudança da procura e das expectativas dos clientes foi a primeira referida por 56% das empresas nacionais (globalmente apontada por 32%). A maior complexidade da cadeia de abastecimento foi o segundo factor mais referido pelas PME portuguesas (37%), e as oportunidades de crescimento no mercado regional ou em mercados mais vastos, o terceiro (29%).

PME portuguesas são muito menos globais que as suas congéneres internacionais

As PME portuguesas são muito menos globais que as suas congéneres internacionais. Enquanto a nível global só cerca de um quarto das empresas não gera receitas fora dos seus países, em Portugal o número sobe para 68%, prevendo-se no entanto que esta percentagem venha a baixar para 56% nos próximos três anos.

Cerca de um terço (31%) das empresas portuguesas inquiridas responderam que entre 1%-20% das suas receitas vêm de fora do país. Todavia, espera-se que no prazo de três anos, 43% das empresas obtenham 1%-20% das receitas nos mercados externos.

No que diz respeito ao número de países onde as empresas fazem negócios, mais de três quartos (76%) das PME portuguesas operam só em Portugal. Apenas 8% opera em mais de três países, embora no espaço de três anos 40% das empresas também tenha a intenção de ter operação em mais de três países.

43% das PME portuguesas consideram-se pioneiras na adopção de tecnologia e 70% acreditam que a tecnologia é o caminho para o crescimento

Um dos principais desafios que se coloca ao esforço de transformação do negócio está associado ao estabelecimento de parcerias e alianças estratégicas para 45% das PME portuguesas (39% globalmente). Quanto às prioridades estratégicas para a transformação do negócio a necessidade de se criar uma cultura de inovação e de se investir em novas tecnologias são as referidas por 45% das empresas portuguesas. A relevância desta prioridade é reforçada pelo facto de 70% das PME portuguesas acreditarem que a tecnologia pode ajudá-las a alcançar longevidade e crescimento sustentável.

68% das PME portuguesas afirmam que os seus principais concorrentes aproveitam melhor a tecnologia, mas 43% consideram-se pioneiras na adopção de tecnologia. A nível global só 35% dos inquiridos identificam-se como “early adopters”.

Neste estudo, a iniciativa estratégica apontada como mais importante para levar ao crescimento prende-se com o reforço das relações com os clientes, tendo sido apontado pela grande maioria das PME portuguesas (84%), seguindo-se a inovação, a redução de custos e a eficiência (75%). Estas iniciativas estratégicas estão também entre as três primeiras mais escolhidas a nível global.

29% das PME portuguesas apostam nos recursos humanos mas enfrentam falta de profissionais qualificados

Em Portugal, 29% das PME estão activamente a contratar colaboradores para apoiar as suas actividades de crescimento, mas 13% referem ter cada vez mais dificuldades em recrutar profissionais com as competências adequadas ao negócio. A nível global esta dificuldade sobe para 39%.

Prioridades de investimento em tecnologia incidem no Social Media, Cloud Computing e Mobile

A prioridade de investimento para as PME portuguesas vai para as tecnologias de Social Media (47%), Cloud Computing (46%) e de Mobilidade (45%).

O primeiro obstáculo à adopção de soluções e tecnologia móvel para 40% das PME portuguesas é a proliferação de plataformas e dispositivos móveis, seguida pela dificuldade de incentivar os colaboradores a usar tecnologia móvel para 30% das PME portuguesas. O maior desafio para adopção do Cloud Computing para as PME nacionais é a falta de competências (45%), seguida pela falta de compreensão dos respectivos benefícios (31%) e pelas preocupações sobre segurança (30%). 42% das PME portuguesas indicam que têm dificuldade para incentivar os colaboradores a adoptarem as redes sociais. Este nível de dificuldade é igualmente sentido por 43% das empresas a nível global.


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