Accenture Technology Vison: Cinco tendências que vão marcar o futuro dos negócios

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A “We Economy” está a redefinir os mercados e a transformar a forma como trabalhamos e vivemos. Segundo o estudo anual da Accenture sobre as principais tendências tecnológicas, intitulado Accenture Technology Vision 2015, as organizações líderes estão a tirar partido das relações com outras empresas digitais, clientes digitais e inclusivamente dispositivos digitais ligados às suas redes para criar novos “ecossistemas” digitais.

Estas organizações, que já começaram a utilizar a tecnologia de forma a transformarem-se em empresas digitais, estão a combinar a sua experiência sectorial com o poder do digital para redefinir o negócio. Operar como ecossistemas, e não como entidades isoladas, oferece-lhes um grande potencial de diferenciação e novas fontes de receitas.

Esta mudança de rumo para a “We Economy” é confirmada por 4 em cada 5 CIOs e directores de IT de 2.000 organizações em todo o mundo, que acreditam que no futuro as plataformas irão converter os sectores em ecossistemas interligados, o que fará desaparecer as fronteiras entre eles. Ainda que 60% dos executivos prevejam estabelecer novas alianças com organizações dos seus próprios sectores, 40% asseguraram que iriam tentar associar-se a empresas digitais de outras indústrias, enquanto 48% desejam colaborar com líderes no desenvolvimento de plataformas de tecnologias digitais.

“O relatório Technology Vision do ano passado destacou que as grandes empresas estavam a reforçar a sua liderança nos mercados, utilizando a tecnologia digital para aumentar a eficácia dos seus processos e transformar os modelos de negócio, as parcerias com outras organizações, a relação com os clientes e a gestão de operações”, refere Paul Daugherty, Chief Technology Officer de Accenture. “Agora que a tecnologia digital é já parte do seu ADN, as organizações estão a expandir os seus limites e a explorar um maior ecossistema de negócios digitais, para definir a próxima geração de produtos, serviços e modelos de negócio, o que fará com que a transformação atinja uma escala muito maior”.

O estudo da Accenture inclui exemplos que demonstram que, face ao rápido crescimento da Industrial Internet of Things – ou seja a interligação de dispositivos integrados na actual infraestrutura da Internet –, as organizações estão a utilizar ecossistemas digitais para oferecer novos serviços, redefinir experiências e aceder a novos mercados. 35% dos executivos já estão a utilizar APIs (Application Platform Interface) de outras empresas para integrar dados e estabelecer parcerias, e outros 38% prevêem começar a fazê-lo. Um bom exemplo disso é a empresa norte-americana de bricolage Home Depot, que colabora com fabricantes para garantir que todos os seus produtos com interligação sejam compatíveis com o sistema doméstico Wink, criando assim um ecossistema próprio e desenvolvendo novos serviços e experiências exclusivas para os clientes da Wink.

A Philips tem adoptado uma postura semelhante, colaborando com a Salesforce na criação de uma plataforma que redefina e optimize a prestação de cuidados médicos. Esta plataforma foi criada como um ecossistema que permita desenvolver aplicações de cuidados de saúde em parceria com médicos e pacientes.

O relatório Accenture Technology Vision 2015 destaca que, graças a estes ecossistemas digitais, as organizações podem gerar novas fontes de receitas. O relatório identifica cinco novas tendências tecnológicas que reflectem a evolução observada entre os grandes inovadores digitais:

“Internet of Me”: À medida que os objectos e as experiências do quotidiano se tornam digitais, abrem-se novas fronteiras para a personalização centrada no indivíduo, com um grande número de canais digitais a abranger todos os aspectos da nossa vida, tais como os dispositivos wearable (citados por 62% dos inquiridos), a TV interligada (68%), os veículos interligados (59%) e os objectos inteligentes (64%). As organizações mais inovadoras estão a tirar partido do facto de terem mudado a sua forma de criar novas aplicações, produtos e serviços. Como forma de controlar melhor estes pontos de acesso, as organizações estão a criar experiências com um alto grau de personalização para atrair e fidelizar os clientes. A maior parte (68%) dos inquiridos estão a rentabilizar o seu investimento em tecnologias de personalização. As empresas que consigam ser bem-sucedidas com esta nova “Internet of me” irão formar a próxima geração de líderes do mercado.

“Outcome Economy”— O hardware inteligente está a criar a ponte entre o empreendedorismo digital e a sua aplicação no mundo real. À medida que enfrentam a Industrial Internet of Things, as organizações líderes conhecem novas oportunidades de integrar hardware e sensores nas suas ferramentas digitais para oferecer aos clientes o que estes realmente pretendem: não apenas simples produtos ou serviços, mas sim resultados. De facto, 87% dos executivos inquiridos reconhecem uma maior utilização de hardware inteligente, sensores e dispositivos, o que faz com que cada vez sejam mais as empresas que vendem resultados em vez de produtos ou serviços. Por outro lado, 84% assegura que a inteligência integrada nos dispositivos permite-lhes ter mais informação sobre a utilização que é dada aos produtos e quais os resultados que os clientes pretendem. Estes “líderes digitais” sabem que para manter a sua vantagem já não basta vender produtos, têm de vender resultados. É esta é a nova “economia de resultados – outcome economy”.

(R)evolução de Plataformas— As plataformas e ecossistemas digitais estão a alimentar a nova vaga de inovação e crescimento disruptivo. Cada vez mais, as organizações estão tirar mais partido das oportunidades que advêm da economia digital para crescerem e serem mais rentáveis. 75% considera que a próxima geração de plataformas não será dominada por grandes empresas de tecnologia, mas por organizações e líderes sectoriais. E quase três quartos (74%) utilizam, ou prevêem utilizar, plataformas sectoriais que integrem dados com outras empresas digitais. Os avanços na mobilidade e cloud não só estão a eliminar as barreiras tecnológicas como também estão a abrir o mercado a empresas de outros sectores e zonas geográficas. Resumindo: os ecossistemas baseados em plataformas tecnológicas são o novo campo de batalha na luta pela competitividade.

Empresa Inteligente – Até agora, o software avançado foi criado para ajudar os colaboradores a tomarem melhores decisões em menos tempo. No entanto, o aparecimento do Big Data, unido ao avanço no que toca à potência de processamento, analytics e tecnologia cognitiva, está a permitir a utilização de inteligência do software, para fazer com que também as máquinas tomem melhores decisões. Na opinião de 80% dos inquiridos, “entrámos numa era de inteligência de software, na qual as aplicações e ferramentas irão pensar cada vez mais como seres humanos”. Além disso 78% dos inquiridos acreditam que o software irá num futuro próximo ser capaz de aprender e adaptar-se a um mundo em constante mudança, efectuando decisões com base em situações de experiência. O próximo nível de excelência operacional e a próxima geração de serviços de software serão resultado dos últimos avanços em inteligência de software, conduzindo a novos níveis de evolução, descoberta e inovação transversal a toda a organização.

Reinventar a força de trabalho — À medida que a revolução digital ganha impulso, aumenta a necessidade de pessoas e máquinas desenvolverem mais coisas em conjunto. A maior parte das empresas questionadas (57%) estão a adoptar tecnologias que permitem realizar tarefas que antigamente requeriam especialistas em TI, como por exemplo a visualização de dados. Os avanços em interfaces naturais, dispositivos wearable e máquinas inteligentes apresentam novas oportunidades para que as empresas potenciem o desempenho dos seus colaboradores através do uso de tecnologia. Esta situação origina assim novos desafios no que diz respeito à gestão da colaboração entre pessoas e máquinas. 78% concordam que as empresas líderes serão aquelas que consigam uma melhor colaboração entre a força de trabalho e as máquinas inteligentes. 77% acredita que no espaço de três anos as empresas terão de dar tanta importância à formação das suas máquinas como à dos seus colaboradores – utilizando, por exemplo, software inteligente, algoritmos e aprendizagem automática. As organizações líderes irão reconhecer as vantagens da colaboração entre o talento humano e a tecnologia inteligente, valorizando os dois como parte indispensável de uma força de trabalho reinventada.

“Em vez de apenas se focar nos aspectos internos e de melhorar as suas próprias operações, as empresas líderes olham para fora, de modo a criar ecossistemas digitais e fazer parte deles”, explica Paul Daugherty. “Estão a começar a compreender a importância de vender não só produtos e serviços, mas também resultados. Para isso terão que se integrar no mundo digital, que inclui clientes, parceiros, colaboradores e os outros sectores”.

Há cerca de 15 anos que a Accenture analisa regularmente o contexto empresarial para identificar as novas tendências tecnológicas que podem afectar profundamente organizações de diversos sectores. Mais informação sobre este assunto em www.accenture.com/technologyvision ou, na versão Twitter, em #TechVision2015


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Patricia Fonseca

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