As 10 chaves da analítica para 2015

16368
1
Share:

A Gartner apresentou recentemente os seus prognósticos, que considera que serão as 10 principais tendências tecnológicas em 2015. Sem qualquer dúvida, uma das suas conclusões mais significativas radica na cada vez maior geração de volumes de informação que estão a ser produzidos, assim como na necessidade de que a analítica se torne inclusiva, ou seja, que chegue a todo mundo e não apenas às pessoas, assim como também às máquinas. Tendo em conta esta perspetiva, estas são as previsões da Information Builders para 2015 em matéria de analítica de dados:

1. A Internet das Coisas ganha terreno

Quando falamos da confluência da Internet das Coisas (IoT) com o business analytics, não apenas consideramos que a analítica irá chegar a todo o mundo, mas também que se deve desenvolver tendo em conta tudo. Considerando os milhões de dispositivos que se encaixam no âmbito da IoT, esta tecnologia vai estar no topo em 2015. As empresas e os seus administradores terão de assumir uma nova cultura analítica no contexto das suas organizações se não quiserem ficar atrás perante a concorrência.

2. Gerir a torrente de dados

Ainda que a avalanche de dados – muitos deles procedentes destes objetos – seja mais do que um facto, muitas empresas não sabem o que fazer com eles. A verdade é que os dados devem ser tratados sempre e quando queiramos tirar algum proveito dos mesmos. A sua utilização não deve estar sujeita à tecnologia per se, senão àquela que se relacione com o tratamento que se lhes irá dar, independente da sua definição (estruturado, desestruturado, semiestruturado, mais ou menos volumoso, registo individual, lote coletivo…). Até agora, o valor incidia nas pessoas que compreendiam o modelo de dados; em 2015, a ênfase será dada aos profissionais que saibam onde radica cada peça.

3. Apps e self-service

Graças ao crescimento contínuo dos dados e a consumerização das TI, todo o mundo terá a necessidade de utilizar o `business analytics´ para tomar decisões mais inteligentes no seu dia-a-dia profissional. Todo o trabalhador terá que tomar decisões de uma maneira ou de outra, independente do seu cargo. E para isso, deverá ter acesso a dados essenciais para o seu trabalho, que lhe permita analisar e tomar decisões baseadas em factos contrastados que fomentem o aumento da sua produtividade.

Hoje em dia, o Business Intelligence (BI) conta, segundo a Gartner, com uma adoção inferior a 30% nas empresas. Infelizmente, continua a ser de domínio exclusivo de dois grupos: por um lado, dos analistas profissionais, que utilizam ferramentas complexas e empregam a maioria do seu tempo a analisar dados; e, por outro, dos administradores que visualizam relatórios e dashboards. Os restantes funcionários operacionais – assim como clientes, parceiros e fornecedores – não têm entretanto acesso a essa informação que lhes permita tomar melhores decisões. Para garantir um maior grau de adoção, é fundamental entender que cada estrato não pode aceder ao mesmo tipo de informação e, por conseguinte, utilizar para isso as mesmas vias. Os analistas, ferramentas; os restantes colaboradores, aplicações intuitivas.

4. Lacuna em matéria de habilidades digitais

Ainda que o BI e a analítica possam chegar a estender-se num futuro ao longo das organizações, o papel do analista e do especialista de dados continuará a ser de grande importância. Existe uma alta demanda para este tipo de profissionais. Considero que no próximo ano o cargo de Chief Data Officer (CDO) irá ganhar destaque, devido ao facto de muitas organizações já estarem a considerar o dado como o seu ativo mais importante. A este novo tipo de administrador ser-lhe-á exigido que encontre meios de rentabilizar este bem tão precioso. Muito provavelmente também iremos assistir à eclosão da figura do Chief Analytics Officer (CAO), como resposta à necessidade que a indústria tem mostrado na hora de analisar tendências. O desafio neste campo radica em encontrar profissionais com visão de negócios e não apenas com habilidades técnicas.

5. Aprendizagem automática

Sempre que surge algum problema em matéria de escassez de recursos profissionais, procura-se a solução na tecnologia e, nesta ocasião, a aprendizagem automática é a resposta. Como indicava um relatório da Deloitte há um ano atrás, os administradores têm-se mostrado reticentes com a aprendizagem automática na altura de tomar decisões, já que obviamente carece da validade das hipóteses ou explicações que, ao contrário, um ser humano pode oferecer. No entanto, atualmente os projetos de dados “movem-se tão rapidamente que os sistemas tradicionais de analítica não são suficientes”. Isso explica porquê numerosas empresas estão a abrir -se à aprendizagem automática para gerir os grandes volumes de dados multidimensionais que têm acesso.

6. Gestão de dados mestre (MDM)

Tendo em conta como os analistas estão a lidar com os crescentes volumes de dados, considero que em 2015 eclodirá outro fenómeno: a gestão de dados mestre (MDM). Os analistas irão ter a liberdade de trabalhar com os dados como quiserem; no entanto, os departamentos de TI também poderão gerir estas situações para que os analistas utilizem os dados adequados e possam extrair conclusões fiáveis. Isso pode ser complexo quando se utilizam numerosas fontes de dados, que nem sempre têm porquê se acharem corretamente descritas no sistema de metadados. Já mencionamos em numerosas ocasiões que os volumes de dados estão a crescer, mas a análise não tem de estar reduzida unicamente aos dados, mas também a várias fontes. Por exemplo, as redes sociais estão a proporcionar torrentes de informações valiosas às quais os analistas desejam aceder em tempo real. A governança de dados é fundamental neste âmbito, se o que se pretende é que o departamento de TI mantenha um controlo suficiente dos dados, ao passo que o analista desfrute da flexibilidade necessária.

7. O `data warehouse´ continuará com o seu declinio, ainda que com matizes

O `data warehouse´ costumava ser o epicentro da arquitetura analítica de qualquer organização, mas conforme os armazéns de Big Data foram ganhando mais ênfase, a existência dos `data warehouses´ é cada vez mais difícil de justificar. Apesar disso, nalgumas áreas ainda há uma importante necessidade de ambientes para dados qualificados, compatíveis entre diferentes domínios e estruturados em prol de uma analítica quase em tempo real. Em algumas ocasiões, estas demandas serão satisfeitas através de ferramentas de gestão de dados mestre; e noutras, através de `data warehouses´ mais tradicionais. O armazém de dados não irá desaparecer, mas terá que estar associado a um propósito específico para que a sua justificação tenha sentido.

8. A tecnologia preditiva pessoal terá um papel mais relevante

Conforme os analistas estão a comprovar o potencial do `data discovery´ e de outras ferramentas analíticas, também querem contar com soluções que lhes permitam prever melhor o futuro. Infelizmente, muitas pessoas não entendem que as estatísticas são suficientes para elaborar modelos preditivos que funcionem, independente de serem simples ou não.

9. Funcionários móveis

Cada vez serão desenvolvidas mais aplicações analíticas para smartphones e tablets a pensar no utilizador não técnico, cada dia mais participante no fenómeno da mobilidade. A Gartner previu que em 2015 “cerca de 50% dos utilizadores móveis de BI confiarão exclusivamente nos dispositivos móveis para aceder aos seus sistemas inteligentes de análises”. Veremos se é verdade que as empresas estão preparadas durante este ano para tal desafio.

10. A transformação do CIO

Os líderes empresariais têm responsabilidades tanto operativas como culturais no seio das suas organizações. No passado, o CIO tinha que se limitar a fomentar a ‘evangelização’ e a aquisição de novas tecnologias. Mas em plena digitalização empresarial, o CIO irá assumir novos papéis:

• Transformação dos processos de negócio.
• Gestão da transformação das operações.
• Fomento da mudança cultural entre os colaboradores que atendem diretamente aos clientes.

O CIO atual está posicionado de maneira única como visionário tecnológico para liderar esta transformação, mas deve entender que a tecnologia, as operações e a cultura têm a mesma importância quando se trata de alcançar o êxito. O CIO terá que sair da sua área de conforto e sujar as mãos para se envolver também nas operações e agir simultaneamente como um agente de mudança.

Os benefícios que os dados oferecem às empresas são numerosos, mas só quando se transladam para toda a empresa, ou seja, a todos os utilizadores de negócio e não apenas aos analistas e administradores. Seja qual for o resultado, será interessante conhecer como evolui o desafio dos dados durante 2015.


Share:
Rado Kotorov

Deixe o seu comentário