Restruturação da Microsoft custa 1850 postos de trabalho na Finlândia


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Apenas alguns dias após anunciar a venda do seu negócio nos telemóveis Nokia, a Microsoft iniciou um processo de emagrecimento da sua força de trabalho que verá o corte de 1,850 postos de trabalho, dos quais 1,350 só na Finlândia. Mas o que há para extrair nas entrelinhas pode indiciar que a Microsoft está com um pé fora dos smartphones Windows Mobile para consumo geral.

Durante o anúncio da venda dos telemóveis Nokia a uma subsidiária da FoxConn, a Microsoft comprometeu-se a continuar a desenvolver o Windows Mobile e a dar apoio aos dispositivos Lumia e outros dispositivos Windows Mobile de parceiros OEM. No entanto, a mensagem de Satya Nadella aos funcionários indicia que o próprio futuro da Microsoft no fabrico de Windows Phones em mote próprio é mais nebuloso:

“Focaremos os nossos esforços em telemóveis onde temos mais diferenciação – nas empresas que valorizam segurança, viabilidade e capacidades Continuum, e nos consumidores que procuram o mesmo. Continuaremos a inovar em diversos dispositivos e nos nossos serviços na nuvem em todas as plataformas”.

Por outras palavras, fica a sensação de que a Microsoft dá um passo atrás na sua estratégia móvel e se concentra na plataforma Windows Universal e no fornecimento de serviços transversais a outras plataformas como iOS e Android. No entanto, não deverá ser assumido que a Microsoft deixará efectivamente de colocar o seu nome em dispositivos móveis.

Num memorando interno, indicando a necessidade agilizar o negócio de dispositivos móveis, Terry Myerson delimita os grandes objectivos da Microsoft:

“Com isto em foco, a nossa estratégia Windows permanece inalterada:

Apps universais. Construímos uma plataforma fantástica, com bastantes inovações no horizonte. Expandir os dispositivos aos quais chegamos e as capacidades dos programadores é a nossa prioridade máxima.

Sempre cuidamos dos nossos consumidores, os telemóveis Windows não são uma excepção. Continuaremos a actualizar e dar apoio à nossa linha Lumia e telemóveis de OEM parceiras, além de desenvolvermos excelentes novos dispositivos.

Continuamos firmes na nossa procura por inovação transversal a todos os dispositivos Windows e serviços para criarmos novas e deliciosas experiências. O nosso melhor trabalho em prol dos clientes advém da combinação dos nossos dispositivos com os nossos serviços.”

Os pontos 2 e 3 são fundamentais no sentido em que Myerson deixa no ar novos dispositivos Microsoft, potencialmente os muito falados Surface Phones, sendo reconhecido no ponto 3 que a melhor coisa que a Microsoft faz pelos clientes é oferecer serviços Microsoft em hardware Microsoft. Há, por parte da empresa de Redmond, a compreensão de que os serviços Microsoft noutras plataformas podem ser altamente competitivos, mas o seu maior potencial será atingido quando a Microsoft tiver total autonomia, o que só pode ser conseguido combinando o seu próprio hardware com o seu próprio software.

Mas não há dúvida de que o negócio móvel será apenas um vector entre muitos:

“Ao mesmo tempo, a nossa companhia será pragmática e abraçará outras plataformas móveis com os nossos serviços de produtividade, gestão de dispositivos e ferramentas de desenvolvimento – independentemente da escolha que alguém faca quanto ao seu telemóvel, queremos que todos possam experienciar o que a Microsoft pode oferecer.”

A Microsoft poderá estar a planear focar os seus dispositivos móveis (inclusivamente o futuro Surface Phone) no mundo empresarial, deixando o mercado de consumo tradicional para outras OEM dispostas a colocar uma ROM Windows 10 Mobile nos seus dispositivos. No entanto, em acréscimo à ambiguidade do comunicado quanto a factos concretos, fica a pergunta quanto a como continuará o Windows Mobile a ser atraente sem promoção concreta e agressiva. Das OEM disponíveis para colaborar, incluindo Xiaomi, só a HP tem realmente interesse em promover agressivamente o seu HP Elite X3, fundamentalmente por ser o nexo de soluções empresariais que constituem o foco da HP.

O impacto da reestruturação da Microsoft

Fora os 1,850 postos de trabalho perdidos, a reestruturação anunciada da Microsoft terá outras consequências, nomeadamente custos de cerca de $950 milhões, dos quais $200 para indemnizações aos trabalhadores.

Esta reestruturação volta a afectar a divisão de dispositivos móveis que havia sido fortemente atingida já em 2015, com a perda de 7,800 postos de trabalho. A Leak sabe, através da imprensa Finlandesa, que os funcionários da unidade em Tampere foram transportados de autocarro para a Espoo Metro Arena onde as notícias não eram boas: a unidade será totalmente encerrada e os seus trabalhadores perderão os seus empregos, com muitos poucos a poderem transitar para a própria Microsoft.

A unidade de Espoo verá o seu pessoal de investigação e desenvolvimento amplamente reduzido, ficando apenas os departamentos de vendas e marketing. O resultado líquido para a imprensa Finlandesa é que o desenvolvimento de novos dispositivos móveis Microsoft na Finlândia foi terminado.

A Microsoft deverá completar a reestruturação até ao final do ano, e deveremos saber mais pormenores sobre as suas operações futuras durante a apresentação dos resultados do quarto trimestre.

Author

Marco Trigo

Fotógrafo de música no projecto Bliss & Hellfire, apaixonado pela divulgação das novidades no mundo da fotografia e pela aprendizagem constante no contacto com novas tecnologias

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