Especialistas mundiais sobre monitorização do ambiente marinho reúnem-se em Lisboa


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Cerca de uma centena de especialistas mundiais em monitorização do ambiente marinho vão estar no próximo dia 10 e 11 de Dezembro em Lisboa para um workshop organizado pela Mercator Ocean e pelo MARETEC, o Centro de Ciência e Tecnologia do Ambiente e do Mar do IST.

Este workshop é o primeiro do género destinado a atuais ou potenciais utilizadores do Serviço Europeu de Monitorização do Ambiente Marinho Copernicus (CMEMS) com interesse em produtos relacionados com o oceano e que cubram a Plataforma Oceânica Sudoeste Atlântico Europeu – seja como fornecedores de serviços, como utilizadores, para investigação ou negócios.

A Mercator Ocean é o centro francês para análise e previsão do oceano, um fornecedor de serviços de informação oceânica em tempo real e diferido, que há cerca de um ano assinou com a Comissão Europeia um Acordo de Delegação para implementar e gerir o CMEMS.

O programa europeu Copernicus recolhe informação sobre os oceanos à escala global através de satélites, sobretudo para leituras à superfície, e de sistemas in-situ para complementar a informação através de leituras de profundidade. Paralelamente, o programa tem vindo a construir ferramentas de modelação matemática para filtrar a interpolar os dados de forma a oferecer um conjunto de informação sobre os oceanos, incluindo previsão, extremamente completo e capaz de ser usado num leque alargado de cenários práticos, na Europa ou em qualquer outra parte do oceano.

O diretor da MARETEC, Prof. Ramiro Neves, explica que “sendo certo que o Copernicus é um serviço com cobertura global, a maioria dos utilizadores procura muitas vezes produtos e soluções de âmbito local”.

“Os dados recolhidos pelo Copernicus são de acesso livre, mas precisam de ser trabalhados no sentido de se tornarem úteis para os diferentes objetivos para os quais podem ser usados”, continua Ramiro Neves. “O workshop que vamos realizar agora em Lisboa destina-se precisamente a mostrar aos utilizadores e potenciais utilizadores como podem tirar partido de toda esta informação e formatá-la em produtos e serviços úteis para os diferentes mercados – verticais e regionais – que servem”.

Os típicos clientes da informação gerada a partir das medições da rede gerida pelo Copernicus incluem pescadores, autoridades portuárias, empresas de exploração petrolífera off-shore, entidades empenhadas na limpeza de poluição marinha, organizações que estudam alterações climatéricas e, de uma maneira geral, qualquer empresa ou entidade ligada direta ou indiretamente à economia dos oceanos.

Ramiro Neves explica que seria impossível a empresas privadas suportar “os custos de recolha de dados a esta escala, tanto mais que uma parte considerável desta informação é obtida através de redes de satélites”. Entidades como a NASA e a Agência Espacial Europeia acabam assim por ser financiadores indiretos deste tipo de iniciativas.

É por isso que “os custos destas soluções são os do desenvolvimento do conhecimento e da tecnologia, mas não o dos dados propriamente ditos”, diz Ramiro Neves. No entanto, “é preciso criar utilizadores intermédios que fazem o refinamento de uma solução como o Copernicus de forma a criar produtos adequados às necessidades locais. Este workshop que estamos a organizar é dirigida precisamente a estes utilizadores que, na sua maioria são PMEs que vão tratar a informação, criando soluções e produtos específicos para os utilizadores finais”.

O responsável pelo MARETEC salienta também que este é um programa que demonstra de forma particularmente interessante o que pode acontecer quando se cria uma ‘tempestade perfeita’ entre financiamento público, conhecimento criado nas universidades e iniciativa privada.

“Já há em Portugal duas empresas, spin-offs do IST, que trabalham neste mercado à escala global sobre os dados do projeto Copernicus. A tecnologia de ponta, quando é desenvolvida originalmente nas empresas, tende a ficar nessas empresas, que de uma maneira geral são grandes empresas multinacionais; mas quando é desenvolvida nas universidades, a tecnologia passa para a sociedade, na maioria dos casos através de PMEs, que a vão tornar útil para todos”, conclui Ramiro Neves.

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Patricia Fonseca
Patricia Fonseca

Viciada em tecnologia, entrou para a equipa em 2012 e é responsável pela Leak Business, função que acumula com a de editora da Leak. Não dispensa o telemóvel nem o iPod e não consegue ficar sem experimentar nenhum dispositivo tecnológico.

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