Em quem confiam os seus dados os cidadãos da União Europeia?


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A Blue Coat tornou públicos os resultados de um estudo realizado pela YouGov a 3.130 colaboradores de empresas na Alemanha, França e Grã-Bretanha.

Uns dias antes do referendo britânico sobre o “Brexit”, o estudo analisava os níveis de confiança que os colaboradores têm em países dentro e fora da União Europeia no momento de armazenar ou guardar informação relacionada com a sua atividade profissional em serviços tais como Gmail, Dropbox e Box. O resultado mostra que os trabalhadores europeus preferem como guardiões da sua informação os seus vizinhos da Europa em vez dos países fora da União Europeia.

Aos participantes da Alemanha, França e Reino Unido foram colocadas questões sobre os seus países de confiança para armazenar ou guardar de forma segura na cloud informação relacionada com a sua atividade profissional. Com o resultado da votação do “Brexit”, e o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) entrando em vigor no dia 25 de maio de 2018, a pergunta sobre onde se armazenam os dados na cloud é um tema em destaque para as entidades que trabalham ou dão serviço aos mais de 500 milhões de cidadãos que residem na União Europeia.

O estudo indica que 46% dos colaboradores entrevistados confiam em qualquer país da União Europeia para trabalhar com os seus dados, comparando com os 18% que confiam em qualquer país externo à União Europeia. Mais de um terço, 36%, responderam que não confiam em nenhum país em concreto no momento de armazenar ou guardar os seus dados na cloud. Os resultados mais significativos do estudo são os seguintes:

A geração Milénio impulsiona o uso da cloud

Os resultados mostram que 53% dos colaboradores entrevistados nos três países do estudo utilizam aplicações na cloud para realizar o seu trabalho. A França lidera o uso com 64% dos entrevistados, muito longe dos 49% do Reino Unido e dos 47% da Alemanha. A utilização da cloud é mais frequente entre os colaboradores da geração milénio, com 63% dos funcionários entre 18 a 24 anos, frente aos 59% com idades entre os 25 e 34 anos, 55% entre 35 e 44 anos, 48% no grupo de idade entre 45 e 54 anos e, finalmente, 47% para os maiores de 55 anos.

Os empregados mais jovens são os que confiam mais

O estudo indica também que os colaboradores mais jovens são os que mais confiança têm nos países da União Europeia, de acordo com outros estudos publicados recentemente que revelam a preferência dos jovens britânicos por permanecer dentro da União. O grupo de colaboradores com idades acima dos 55 anos são os que mostram uma menor confiança (36%). Este grupo de idades (maiores de 55 anos) é também o que mostra uma menor confiança em geral, com 47%, reconhecendo que não confiam em nenhum país em particular na hora de armazenar ou guardar a informação, frente aos 24% dos incluídos entre os 18 e os 24 anos.

Os britânicos preferem a União Europeia para armazenar a informação

Para alguns participantes, os níveis de confiança são muito baixos relativamente a armazenar os dados na cloud em qualquer país.

  • Os britânicos confiam muito mais em países europeus (40%) do que nos países fora da União (22%).
  • De facto, os participantes britânicos confiam mais noutros países da União Europeia que no seu próprio país, com apenas 38% das respostas a mostrar a sua confiança no Reino Unido para armazenar os seus dados na cloud.
  • Por toda a Europa, a Alemanha destaca-se como o país mais confiável, com 26% de todos os participantes satisfeitos com a possibilidade de que os seus dados se encontrem lá, frente aos 21% da França e os 20% do Reino Unido.
  • No extremo contrário, Espanha é o país em que só confiam 6% dos participantes no inquérito perante a possibilidade de que os seus dados possam ser armazenados lá.

Os alemães desconfiam dos países da União Europeia

  • Para além do seu próprio, os participantes britânicos e suecos têm um nível de confiança na Alemanha de 18%.
  • São os alemães os que mais confiam no seu próprio país (43%), e depois as suas preferências vão para a Suécia (14%), a sua confiança em França e no Reino Unido é mínima, com apenas 7% em ambos os casos.
  • Os colaboradores franceses também preferem o seu país em primeiro lugar, com 45%, em segundo destaca-se a Alemanha (16%) e a Suécia (14%).

Desconfiando dos EUA

O estudo mostra também que a maioria dos colaboradores europeus entrevistados não confiam nos EUA para armazenar a sua informação, mostrando o seu apoio à decisão que o Tribunal da Justiça da União Europeia tomou declarando inválido o marco de “porto seguro” existente.

  • Apenas 9% dos participantes mostraram a sua confiança perante a possibilidade que a sua informação pudesse ser armazenada ou guardada nos EUA
  • Os britânicos são os que mostraram ter uma maior confiança com 13%, frente aos 3% dos alemães.
  • Fora da UE, o país que recebeu maiores níveis de confiança foi a China (1%), enquanto que a África do Sul (2%), Rússia (2%) e o Japão (8%) são considerados como os países menos confiáveis pelos entrevistados.

Robert Arandjelovic, diretor de marketing de produto da Blue Coat Systems para a EMEA, afirma: “O marco regulatório da União Europeia vai mudar radicalmente com a nova legislação GDPR, e este estudo mostra um importante nível de desconfiança fase aos países que se encontram fora da UE. Os entrevistados mostraram a sua preferência por manter os seus dados dentro da União Europeia, apoiando assim a nova legislação europeia de proteção de dados. Mais preocupante é o facto de que quase a metade dos inquiridos não confiam em nenhum país para armazenar a sua informação, o que significa que muitos colaboradores simplesmente não prestam atenção em onde tem armazenada a sua informação, o que pode tornar-se um perigo para as empresas”.

Todos os valores, exceto que assim se indique, provêm da YouGov Plc. A amostra contou com um total de 3.130 participantes. O trabalho de campo foi realizado online entre 6 e 12 de maio de 2016. Os resultados foram ponderados e são representativos de toda a população adulta na Alemanha, França e Grã-Bretanha (maiores de 18 anos). As estatísticas do inquérito têm um nível de confiança de 99%, +/- 1,6 % margem de erro para o total da amostra.

Author

Patricia Fonseca
Patricia Fonseca

Viciada em tecnologia, entrou para a equipa em 2012 e é responsável pela Leak Business, função que acumula com a de editora da Leak. Não dispensa o telemóvel nem o iPod e não consegue ficar sem experimentar nenhum dispositivo tecnológico.

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