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Leak Business

2016 será marcado pelo impacto crescente do design nas empresas, administração pública e sociedade

Patricia Fonseca

Publicado a

A Accenture acaba de lançar o Fjord Trends 2016, um relatório que já vai na 9ª edição e que analisa as tendências digitais emergentes mais relevantes que poderão transformar o design, as organizações e a sociedade em 2016.

Na base destas tendências encontram-se os chamados Living Services, que respondem de forma dinâmica e em tempo real ao contexto e às necessidades dos utilizadores. Este relatório da Fjord, uma empresa do grupo Accenture, destaca ainda que alguns serviços estão a tentar entregar conteúdos de forma mais rápida, potenciados por APIs (Application Program Interfaces) e plataformas. E as tendências não se limitam apenas à tecnologia: existe uma aposta no design para a mudança social, o que representa uma importante alteração de mindset empresarial. De acordo com o relatório da Accenture Interactive, estes temas vão representar vários desafios e oportunidades relacionadas com o design, e determinar quais as organizações mais bem-sucedidas.

Temos notado que o mercado está muito atento e expectante em relação ao “design thinking”, refere Mark Curtis, Chief Client Officer da Fjord. “Neste momento, os nossos clientes estão a tentar avançar para o “design doing”, mas têm de ultrapassar um difícil obstáculo. Tudo está a tornar-se mais pequeno e mais veloz, o que exige que as organizações sejam mais rápidas a adaptar a sua tecnologia e a desenvolver a sua abordagem de design”.

O relatório Trends 2016 destaca 10 tendências digitais que deverão definir a próxima geração de experiências:

  1. Ver e ouvir. Atualmente muitas pessoas já utilizam dispositivos que as encorajam a correr mais depressa ou a comer de forma mais saudável. Quer sejam wearables ou nearables, a última geração de dispositivos agora sente, vê, ouve e responde. Estes dispositivos estão a aprender os hábitos e comportamentos dos utilizadores, capturando “micro-momentos”, e a responder em tempo real de forma proativa, antecipando necessidades.
  2. Serviço de confiança. Com o aparecimento do Big Data surge também uma grande responsabilidade. As organizações mais bem-sucedidas consideram que a confiança digital deve ser merecida. O modelo de “Privacy by Design” está a ser implementado em empresas como a Microsoft, que está a incorporar standards de privacidade na tecnologia e design de produto desde o primeiro momento.
  3. As crescentes expetativas dos consumidores não se limitam à vida pessoal. Propagam-se ao local de trabalho e os colaboradores exigem agora melhores experiências, personalizadas e socialmente conectadas. Uma nova ênfase na experiência do colaborador está a afetar os processos, estruturas e a cultura do local de trabalho.
  4. Apps que desaparecem. O uso de apps de utilização específica na nossa vida quotidiana irá progressivamente desaparecer, à medida que se tornam “atomizadas” e super distribuídas em plataformas e outros serviços. A próxima vaga de serviços poderá nem precisar de interação humana para serem ativados.
  5. Democratização do luxo. As experiências digitais tornaram o luxo mais acessível e elevaram os padrões de vida dos cidadãos, ao proporcionarem às massas serviços de luxo como motoristas pessoais ou assistentes virtuais. A capacidade de personalização de serviços permitirá a democratização de experiências até agora apenas acessíveis a alguns com capacidade e poder de compra.
  6. Administração pública (AP) customizada a cada cidadão. A AP está a repensar a experiência dos cidadãos, passando de uma abordagem única para todos, focada na transação, para um serviço personalizado e adaptado às necessidades individuais dos cidadãos.
  7. Saúde é sinónimo de riqueza. A auto monitorização (“Quantified Self”) deixou de ser um domínio de um pequeno grupo de utilizadores altamente tecnológicos. Os consumidores atuais estão a adotar tecnologia para controlar a sua saúde e bem-estar. Até as seguradoras estão a abrir as suas plataformas a terceiros, para permitir a criação de serviços que atuem sobre os seus dados, em wearables, apps e serviços.
  8. Realidade virtual cada vez mais real. Não sendo mais uma fantasia futurística, a realidade virtual irá ter o seu maior impacto nas massas em 2016, com a primeira versão do Oculus, da Sony, e de novos equipamentos da Samsung que deverão chegar ao mercado. Espera-se também que os designers pensem além do gaming e incluam a realidade virtual em novas utilizações, desde estudos científicos e turismo virtual, a uma experiência de aprendizagem imersiva.
  9. Reduzir a lista de TO-DOs. Com a velocidade da inovação surge um ciclo interminável de decisões e escolhas que é necessário gerir. Serviços que conseguem antecipar necessidades, e sugerir opções ou decisões simplificadas, como o Google Now, podem passar a fazer parte da vida dos consumidores facilitando a sua gestão.
  10. Design a partir do interior. As organizações estão a adotar o design thinking para impulsionar a mudança nos seus consumidores e colaboradores. Ao centrarem-se nas pessoas, estão a utilizar o design como um agente de resolução de problemas nas organizações, e incorporando-o nos seus processos operativos e não apenas no desenho de produtos e serviços.

À medida que a digitalização de tudo se torna uma realidade e o mundo físico está mais interligado, as empresas terão de se adaptar a estas novidades para transformarem a mudança em oportunidade”, refere Brian Whipple, Senior Managing Director da Accenture Interactive. “Este relatório pretende provocar, informar e inspirar, mas acima de tudo fornecer insights úteis sobre o design no mundo enfocado na experiência”.

O estudo Trends 2016 baseia-se na experiência de mais de 750 designers e developers da Fjord de todo o mundo, em observações iniciais, pesquisas e projetos com clientes. Relatório disponível em trends.fjordnet.com.

Viciada em tecnologia, entrou para a equipa em 2012 e é responsável pela Leak Business, função que acumula com a de editora da Leak. Não dispensa o telemóvel nem o iPod e não consegue ficar sem experimentar nenhum dispositivo tecnológico.

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